COTIDIANO / Sexta, 22 Outubro 2021 12:51

MTST pressiona Prefeitura do Recife por desapropriação de área ocupada por 300 famílias

Diante da pressão dos manifestantes, que ocuparam a sede da Prefeitura, representantes da gestão estiveram na Ocupação 8 de março, mas ainda não há garantia de teto para os ocupantes

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: MTST

Introdução:

Diante da pressão dos manifestantes, que ocuparam a sede da Prefeitura, representantes da gestão estiveram na Ocupação 8 de março, mas ainda não há garantia de teto para os ocupantes

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: MTST

Mais um episódio na luta por moradia na capital pernambucana. Esta semana, a Alma Preta Jornalismo informou que uma reintegração poderia deixar cerca de 300 famílias desabrigadas. O prazo para a Prefeitura do Recife intervir se encerrou na última quinta-feira (21), motivo para manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto irem à sede da gestão, em protesto, e declararem greve de fome até que houvesse um posicionamento sobre o futuro dos moradores. Diante da pressão popular, na manhã desta sexta-feira (22), representantes da Prefeitura do Recife estiveram no local para avaliarem a situação de moradia das famílias.

O terreno em questão serve de abrigo para a Ocupação 8 de Março, localizado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. De acordo com o Movimento, se trata de uma propriedade pertencente a uma empresa que acumula cerca de meio milhão em dívidas de IPTU e outros impostos ao município e à União e está com o patrimônio ameaçado de penhora pela Justiça. 

Diante da situação, integrantes do MTST Pernambuco se acorrentaram na sede da Prefeitura do Recife e realizaram bloqueio da Avenida Conde da Boa Vista, uma das principais vias da área central da capital, para pedir a suspensão da autorização de despejo do terreno. Ato foi realizado, de acordo com manifestantes, a fim de abrir diálogo com o poder municipal para garantir a permanência dos ocupantes. 

A coordenadora do MTST estadual, Isis Thaizy, foi agredida por guardas municipais na sede. A mesma violência, segundo manifestantes, ocorreu com a co-deputada da mandata Juntas pelo PSOL, Jô Cavalcanti, que, ao pedir para ir ao banheiro, foi impedida pelos seguranças do prédio da gestão e agredida também. 

A visita de agentes municipais ocorreu com o objetivo de levantar dados sobre os ocupantes e realizar os cadastros em programas de habitação. O MTST informa que continuará dando apoio às famílias, auxiliando no processo de luta e garantia por moradia. 

Em conversa com a Alma Preta Jornalismo, a coordenadora Nacional do MTST, Vitória Genuíno informou que o ato trouxe certa vitória ao Movimento e aos ocupantes da 8 de Março. O protesto resultou em um acordo com a prefeitura, que confirma a suspensão do prazo de ordem de reintegração de posso até que as famílias em situação de vulnerabilidade possam ser cadastradas em programas habitacionais.

Entretanto, para a coordenadora, mesmo tratando de uma vitória que o Movimento considera de certa importância, questões ficam abertas durante o processo e causam insegurança. “Mesmo com a proposta confirmada em diálogo, não se sabe quanto tempo será preciso para a coleta de dados dos ocupantes e, principalmente, em quais programas e como serão assistidos, o que não foi informado pela gestão”, comenta. 

Leia também: Reintegração pode deixar 300 famílias desabrigadas no Recife

Uma reclamação ao Supremo Tribunal Federal foi realizada paralelamente ao diálogo, buscando a via de proteção nacional da campanha “Despejo Zero”. Mais de 40 organizações sociais e movimentos populares assinam a campanha em defesa das pessoas que correm risco de ficarem desabrigadas diante de uma crise sanitária global, manifestando a necessidade de não haver ordem de desocupação até que este cenário esteja encerrado. 

A coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto nacional complementa com uma avaliação de que o grau do protesto é uma sinalização de que, mesmo que a prefeitura tenha pautado na imprensa programas âmbito, pouco se tem falado com os movimentos sociais para a construção e execução de tais projetos. 

Questionada sobre a possibilidade do não cumprimento do acordo realizado com a gestão municipal, Vitória afirma que o Movimento continuará no processo de pressão e luta. 

“Infelizmente, seremos ainda mais radicais em nossas ações. Essa foi a possibilidade que encontramos para uma abertura, para nos escutarem, então seguiremos nessa estratégia”, informa e finaliza. 

 

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