COTIDIANO / Terça, 19 Abril 2022 12:30

Covid-19: entenda por que a pandemia ainda não acabou

O Ministério da Saúde anunciou o fim da emergência de saúde pública causada pelo coronavírus. Quando é possível afirmar que uma pandemia acabou ou não? a ciência responde

Texto: Nataly Simões | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Idoso com máscara de proteção subindo em um ônibus.
Introdução:

O Ministério da Saúde anunciou o fim da emergência de saúde pública causada pelo coronavírus. Quando é possível afirmar que uma pandemia acabou ou não? a ciência responde

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Texto: Nataly Simões | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Há algumas semanas o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em vários estados com a queda no número de infectados e mortos pela covid-19. Mas, afinal, a pandemia acabou ou não?

O anúncio do fim da emergência de saúde pública causada pelo coronavírus, feito pelo Ministério da Saúde no domingo (17), também pode parecer um sinal de que a pandemia acabou. No entanto, a decisão contraria as recomendações do Comitê de Emergência da OMS (Organização Mundial da Saúde), que avalia que a covid-19 “representa um risco contínuo de propagação internacional e requer uma resposta internacional coordenada”.

O Brasil também está na contramão das políticas adotadas em outros países como os Estados Unidos e a China. Recentemente, os EUA prorrogaram o uso de máscaras por mais três meses e convocaram uma segunda Cúpula Global para debater os esforços de combate à pandemia. Já a China acabou de passar por um período de três semanas de lockdown severo. Ambos países adotaram essas posturas diante do aumento dos casos da doença.

No Brasil, a atual média móvel de mortes é de 100, número bem distante das aproximadamente 68 mil vidas perdidas somente em abril de 2021, mas a doença ainda é a que mais mata no país, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.

A hipótese de que a pandemia já tenha acabado é descartada pela OMS e, no país, o Instituto Butantan destaca alguns dos motivos que provam que a crise sanitária ainda não chegou ao fim.

Uma das razões é que bilhões de pessoas continuam sem vacina em todo o mundo. Embora no Brasil mais de 76% da população já tenha sido imunizada, pesquisas demonstram que a proteção contra quadros graves da covid-19 só ocorre com o esquema vacinal completo e cerca de 50 milhões de brasileiros ainda não tomaram a dose de reforço.

África é um dos continentes com menor acesso à vacina

Em todo o mundo, pelo menos 3 bilhões de pessoas não receberam nenhuma dose do imunizante e ainda correm o risco de contrair o SARS-Cov-2 e desenvolver a forma mais grave da doença. O instituto menciona a gravidade da situação de países do continente americano e, como já noticiado pela Alma Preta Jornalismo, do continente africano.

“No mês passado, a OMS informou que apenas 11% da população elegível à vacinação em todo o continente africano tinha recebido ao menos uma dose. Ainda segundo o órgão, 14 países das Américas não bateram a meta de vacinação”, diz o Instituto Butantan.

Leia também: 83% dos africanos não receberam nenhuma dose da vacina contra covid-19

Crianças de até quatro anos ainda não foram imunizadas

Outro fator que revela que a pandemia não chegou ao fim é o de que há uma grande população infantil sem acesso ao esquema vacinal. As vacinas disponíveis são recomendadas somente para crianças acima de cinco anos, enquanto as de zero a quatro anos continuam mais vulneráveis ao vírus, que continua circulando e pode atacá-las de forma mais grave.

A CoronaVac, vacina fabricada pelo Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac, já é aplicada em crianças e adolescentes brasileiros de seis a 17 anos. No estado de São Paulo, 80,02% das crianças entre cinco e 11 anos já completaram a primeira dose e 48,57% estão com o esquema vacinal completo.

O Butantan entrou com um pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para liberar o imunizante para crianças a partir dos três anos, após pesquisa realizada no Chile e em outros países mostrarem que ele é altamente eficaz contra a covid-19 nesta população.

Novas variantes representam riscos

O surgimento de novas variantes como a ômicron e a delta-ômicron representam riscos em escala mundial e são mais uma prova de que a pandemia não chegou ao fim. Segundo a OMS, a BA.1 (sublinhagem da ômicron) é a variante predominante no mundo atualmente e os casos de BA.2 têm aumentado nas últimas semanas.

“Além do surgimento de novas variantes aumentar o risco do escape vacinal, isto é, a diminuição da proteção das vacinas já existentes, quanto mais variantes circularem, maior o risco de mais pessoas se infectarem, dos não vacinados terem quadros graves e de novas ondas de infecções surgirem – diminuindo ainda mais a chance de a pandemia acabar”, salienta o Instituto Butantan.

Pandemia pode virar endemia?

Entre a comunidade científica há um consenso de que a pandemia de covid-19 poderá se tornar uma endemia, ou seja, o coronavírus não irá desaparecer, se tornará uma doença com pequenos surtos em algumas épocas e regiões do mundo, como acontece com outras enfermidades como a gripe – em que os casos aumentam no inverno.

Um dos principais motivos para a preocupação da OMS é que esse processo de transição da pandemia para endemia ainda está distante de ser tornar uma realidade, apesar da flexibilidade nas medidas de proteção em países como o Brasil.

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