COTIDIANO / Quarta, 08 Junho 2022 10:46

Brasil tem aumento de mais de 60% de pessoas negras que convivem com a fome

Em 2022, cerca de 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no país; no final de 2020 esse número era de 19,1 milhões

Texto: Redação | Imagem: Reprodução/Internet

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Em 2022, cerca de 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no país; no final de 2020 esse número era de 19,1 milhões

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Texto: Redação | Imagem: Reprodução/Internet

Em 2022, cerca de 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no Brasil e mais da metade (58,7%) da população está em situação de insegurança alimentar, situação em que uma pessoa não tem acesso regular e permanente a alimentos. É o que diz o II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil.

“Em número de pessoas, isto significa que 14 milhões de novos brasileiros passaram a conviver com a situação de fome, uma vez que tínhamos 19,1 milhões ao final de 2020 e, ao final de 2021 e início de 2022, esse número subiu para 33,1 milhões”, ressalta o informe.

O levantamento mostra ainda que enquanto na população negra houve um aumento de mais de 60% na proporção daquelas que convivem com a fome, dentre os brancos esse aumento foi de 34,6%.

A insegurança alimentar grave aumentou nos domicílios chefiados por pessoas brancas, de 3,3% para 6,6%, e entre domicílios com pessoas de referência negra (preta/parda) de 8,7% para 10,2%. Isto resultou em diferença menor entre os grupos, mas com prevalência de insegurança alimentar grave de maior magnitude em domicílios chefiados por pessoas negras.

O estudo também constatou que 22,3% das famílias cujos responsáveis têm até quatro anos de estudo ou não tinham escolaridade estão em situação de insegurança alimentar grave, o dobro daquelas com oito anos de estudo (10,2%). “A garantia da educação como direito social se revela, portanto, como um meio essencial também de proteção das famílias contra a ameaça da fome.”, diz o levantamento.

“Por trás da fome, temos o flagelo sobre as crianças, as mulheres e a população negra, acrescido a isso o negacionismo frente ao problema climático, que tanto prejudica a produção agrícola e tem relação direta com a insegurança hídrica”, diz o informe.

O estudo foi desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), em parceria com a Ação da Cidadania, ActionAid Brasil, Fundação Friedrich Ebert – Brasil, Instituto Ibirapitanga, Oxfam Brasil e Sesc São Paulo.

Leia também: ‘Há uma ligação direta entre insegurança alimentar e racismo no Brasil’, diz nutricionista

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