COTIDIANO / Terça, 23 Novembro 2021 10:12

Afroempreendedora supera câncer de mama e abre clínica de estética voltada à população negra

Ao perceber que as clientes não queriam ser atendidas por ela no local em que trabalhava, ao passo que esteticistas brancas não davam atenção às mulheres negras que buscavam os serviços, Zarah Flor viu uma oportunidade de empreender e valorizar a beleza negra

Texto: Caroline Nunes | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Acervo Pessoal

Introdução:

Ao perceber que as clientes não queriam ser atendidas por ela no local em que trabalhava, ao passo que esteticistas brancas não davam atenção às mulheres negras que buscavam os serviços, Zarah Flor viu uma oportunidade de empreender e valorizar a beleza negra

Texto: Caroline Nunes | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Acervo Pessoal

“Depois de ser diagnosticada com câncer de mama e assinar o contrato do imóvel da clínica sem saber como seria meu tratamento de quimioterapia, tive que criar uma nova rotina de trabalho”. É assim que começa o sonho da afroempreendedora do ramo da estética Zarah Flor, mulher de origem periférica, que atualmente tem duas clínicas voltadas para o público negro - uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro.

Com serviços a preços populares e, como ela mesmo diz, "atendimento humanizado e acolhedor, que busca as melhores maneiras de trazer e incentivar a população negra a se cuidar”, a afroempreendedora conta hoje com quatro funcionários e ressalta a importância da valorização de profissionais que compreendam saibam o que é discriminação.

Zarah Flor afirma que sempre foi muito difícil achar materiais de estudo com essa especificidade, portanto, para ela é uma vitória poder atender a população negra e compreender quais são as demandas estéticas desse público.

"Tínhamos que fazer testes em nós, amigos e familiares, até encontrar um protocolo adequado para nossa pele preta. Hoje, já se encontra profissionais falando e ministrando cursos sobre pele negra, porque entenderam que nós, negros, somos os maiores consumidores. A mídia está cada vez mais incluindo pessoas negras nas suas campanhas publicitárias também”, ressalta a afroempreendedora.

Equipe de trabalho da clínica Zarah Flor | Créditos: Acervo PessoalEquipe de trabalho da clínica Zarah Flor | Créditos: Acervo Pessoal

Desafios

Zarah Flor, que trabalha desde muito jovem, relembra que, ao se colocar no mercado de trabalho enquanto profissional da estética, se viu rodeada de preconceito e muitas dificuldades. Ela conta que ia às entrevistas de emprego e se subjugada e colocada como a última opção para vagas.

Finalmente, quando conseguiu um trabalho, a afroempreendedora se recorda que as clientes se negavam a ser atendidas por ela. No entanto, Zarah passou a perceber que as mulheres negras que buscavam os serviços sofriam a mesma coisa: esteticistas brancas se recusavam a atendê-las e faziam pouco caso de sua presença ali. Foi quando ela se atentou a uma oportunidade de empreender.

“Eu queria fazer a diferença, trazer algo novo para essas mulheres, ter a chance de elas perceberem o quanto elas são bonitas e podem ficar ainda mais, pois as pretas são, sim, uma beleza única e especial e temos muito potencial não apenas na vida, mas no empreendedorismo”, pondera a afroempreendedora.

Sonhos e futuro

“Quando você passa por um processo de cura, é possível ver como a vida é tão bela e temos que viver intensamente nossos sonhos, correr atrás dos nossos objetivos e agradecer por estar viva”, diz Zarah Flor. Para o futuro, a afroempreendedora planeja abrir um local maior, não somente voltado para a estética, mas de valorização e educação da saúde da população negra.

A esteticista Zarah Flor | Créditos: Acervo PessoalA esteticista Zarah Flor | Créditos: Acervo Pessoal

Zarah acredita que “ter a presença de profissionais negros no mercado da beleza é mais uma das nossas conquistas e mostra que estamos ganhando cada vez mais espaço. Atender a população negra é mais um passo para entender cada cliente e as particularidades de cada pele negra”.

Leia também: ‘Especial | Beleza e estética garantem a manutenção de afroempreendedoras periféricas’

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