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Ação afirmativa de reserva de vagas é tema do debate ‘O Sistema de Quotas e a Universidade Pública'”

Texto: Solon Neto / Foto e Edição de Imagem: Solon Neto 

Como parte de um ciclo de debates promovido pelo Centro de Documentação e Memória (CEDEM) em comemoração aos 40 anos da UNESP, o debate “O Sistema de Cotas e a Universidade Pública” reunirá pesquisadores da USP e da UNESP debruçados sobre a temática racial neste dia 20/05, às 18h30. O encontro será realizado no prédio da Universidade na Praça da Sé, nº108, 1ºandar, e faz parte de uma parceria entre o CEDEM e o Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão da UNESP, o NUPE.

As cotas continuam gerando incertezas e discussões nas universidades brasileiras. As cotas começaram a ser debatidas em âmbito governamental na Grupo de Trabalho Interministerial do Minstério da Justiça, liderado pelo professor Hélio Santos, criado no governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2001, na Conferência de Durban, o Brasil também assinou compromissos que seguiriam a adoção de políticas afirmativas, como se pode ver nos pontos 72 e 113 do documento. A discussão seguiu e mais tarde, em 2012, o Governo Fedral assinaria a Lei Nº 12.711 que instauração de políticas de reserva de vagas nas universidades e institutos federais. Aliada às ações do Prouni, FIES e Sisu, as instiuições de ensino superior, desde então, ampliaram seu número de estudantes pobres e negros.

No entanto, apesar da tendência, nem todas as universidades seguiram o exemplo das federais. É o caso das universidades paulistas estaduais, USP, UNESP e UNICAMP, das quais apenas a UNESP adotou um sistema de reserva de vagas em 2014. A iniciativa passou por um duro debate após uma primeira proposta que pretendia instituir os chamados “colleges”, cursos que supririam supostas deficiências dos cotistas antes que eles entrassem na universidade. Muito criticada, a proposta foi retirada e em seu lugar adotou-se uma progressiva reserva de vagas, que aumenta ano a ano da seguinte forma: 15% (2014), 25% (2015), 35% (2016), 45% (2017), 50% (2018).

Para fazer um panorama sobre as Cotas no Brasil, o debate no CEDEM trará os seguintes expositores:

Juarez Xavier 3

 

Profº Drº Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (UNESP-Bauru) e coordenador do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (NUPE/Unesp). Tem experiência em Jornalismo Especializado, atuando nos temas: afrodescendentes, fundamentos do jornalismo, mídia radical, economia criativa e gestão cultural.



Eduardo Galhardo

 Profº Drº Eduardo Galhardo, professor da Faculdade de Ciências e Letras (UNESP-Assis), assessor na Coordenadoria de Permanência Estudantil da UNESP e Editor-chefe da Revista Ciência em Extensão (PROEX-UNESP). Desenvolve trabalhos na utilização das Tecnologias de Informação e de comunicação aplicadas â Educação, atuando nos temas: Educação à Distância, Educação Inclusiva. Biologia aplicada a Psicologia de São Paulo.

 

Ricardo Alexino

 

Profº. Dr.º Ricardo Alexino Ferreira, professor livre docente da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Membro da Comissão de Direitos Humanos da USP e Coordenador do Programa USP Diversidade. Tem se dedicado aos estudos de etnomidialogia (questões étnico-sociais) e desenvolvido pesquisas de construções de identidades e memórias de intelectuais dos países africanos de língua portuguesa.

 

 

Meditação:

Maria Cândida Soares del Masso 1

 

Profª. Drª. Maria Cândida Soares del Masso, professora do Departamento de Educação Especial da Faculdade de Filosofia e Ciências  (UNESP-Marília). Tem se dedicado aos estudos de educação e educação especial, com ênfase em reabilitação profissional, profissionalização de pessoas com deficiência e formação de professores para educação especial e inclusiva.

 

As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas pelo email “Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.” ou pelo site: http://www.cedem.unesp.br/#!/form/.

Para mais informações ligue para (11) 3116–1701 ou acesse o site www.cedem.unesp.br.

Texto: Pedro Borges / Edição de imagem: Vinicius Martins 

Evento se inicia no dia 13 de maio, data que marca a falsa abolição da escravatura

Entre os dias 13 e 15 de maio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, acontece o EECUN. São esperados cerca de mil estudantes negros de todas as regiões do país para discutir o genocídio, cotas e o posicionamento da militância preta dentro e fora da universidade.

O encontro é plaejado desde o final de 2013 por jovens estudantes negros que não se viam representados pelos espaços de discussão política dentro da universidade. “O EECUN é um evento organizado por estudantes pretos(as) para estudantes pretos(as). O encontro vem sendo construído há muito tempo com o intuito de colocarmos em pauta questões que não são discutidas em outros eventos, mesmo naqueles em que são feitos debates voltados para a população negra”, explica Francy Silva, estudante da PUC-MG.

Lideranças históricas do Movimento Negro foram convidadas a participar da atividade. Entre os nomes já confirmados, estão Joselina Silva, Hélio Santos, Janaína Damasceno, Valter Silvério, entre outros.

Hugo Lima, estudante da Universidade Veiga de Almeida-RJ, apresenta a sua expectativa com relação às atividades. “Acredito que reunimos nomes importantes da nossa militância. As mesas serão momentos de muito aprendizado e reflexão. As falas propostas ajudarão muito no nosso crescimento, enquanto militantes”.

A ideia é transformar o EECUN em um marco da militância negra dentro da universidade. Para além do posicionamento, o Encontro foi construído sem recurso da iniciativa privada ou verba governamental. Daniel Souza, estudante da UFRJ, destaca a importância da autonomia financeira e política do encontro. “Bom, não é apenas importante, como fundamental. Afinal, é um dos princípios do evento. Ser autônomo tanto politicamente, quanto financeiramente, quer dizer que, tendo em vista os inúmeros encontros de estudantes universitários negros, nossas pautas não serão suprimidas”.

A programação completa pode ser conferida no site do EECUN, assim como todas as informações e o histórico de construção do Encontro. 

Veja mais:

Estudantes e coletivos negros definem local e data de encontro nacional
Encontro de nacional de estudantes negros acontece no mês de maio

Vídeos: 

 

Textos: João Victor Belline / Imagem: Divulgação

 Documentário mostra tradição e cultura no interior e também questiona as questão sócio étnicas

O município de Tietê, localizado no interior do estado de São Paulo, tem cerca de 37 mil habitantes e abrange uma área de 392,509 km², e apresenta registros de história desde a época dos bandeirantes que desbravavam o interior pelo rio homônimo. O solo fértil e o vasto trecho do Tietê no município foram fatores cruciais à formação da cidade. Até os dias de hoje é notório como a construção arquitetônica da cidade foi se instituindo a partir do fluxo fluvial.

Tietê também é notável por muito mais coisas importantes do que apenas o nome do rio. Desde a sua fundação, em 8 de março de 1842, a cidade carrega uma importante carga cultural. A arquitetura do centro, por exemplo, ainda mantém as fachadas de tempos outrora. Dentre essas manifestações culturais, uma delas se destaca pela representatividade e resistência. A Festa de São Benedito acontece anualmente no último final de semana de setembro e é realizada há 147 anos, envolta em uma carga enorme de saber empírico, e reflete fatores socioculturais da cidade.

A cidade teve uma colonização italiana muito forte e, apesar nos números não serem exatamente claros, teve um período de escravidão muito intenso. A própria Igreja de São Benedito, por exemplo, foi feita com mão de obra escrava. Há registros orais de moradores que afirmam que até meados dos anos 70, começo dos 80, a segregação ainda era bem intensa. Um exemplo disso é que no próprio centro, na Praça Dr. Elias Garcia, o negros não ‘podiam’ ficar com total liberdade. Com esse retrato e uma população negra grande, Tietê ainda discute muito pouco as questões sócio étnicas.

Com a intenção de trazer a discussão, proporcionar um resgate histórico e fortalecer a identidade local, o documentário “Viva São Benedito” foi lançado no último dia 7 de maio. O filme informa, através das tradições religiosas e do Batuque de Umbigada, e também problematiza algumas questões delicadas e que não são discutidas na cidade. Em outros tempos, a Festa de São Benedito fazia multiplicar em duas ou três vezes o número de pessoas na cidade durante os dias das festividade, em especial o domingo, dia de maior aporte de pessoas. Entretanto, com o passar dos anos, a Festa tem atraído menos pessoas. Ela foi reorganizada e não acontece mais na região central de Tietê e, sim, em um ambiente afastado da cidade, a FAIT – Recinto de Exposições Luiz Uliana. É possível discutir se isso é de fato uma forma de organizar a Festa de São Benedito ou se, na verdade, está acontecendo uma repressão. Diversas pessoas na cidade têm uma aversão à Festa de São Benedito. Não é difícil ouvir, semanas antes do último final de semana de setembro, alguém afirmar que não ficará na cidade para evitar toda a movimentação. Independentemente disso, os tieteenses que costumam aproveitar a Festa, junto aos imigrantes temporários, presenciam uma data respeitada e não só pela população de Tietê que considera sua história, mas também por diversas cidades vizinhas.

O documentário se baseia em duas formas de expressão da tradição e da cultura que acontecem durante a Festa. As festividades religiosas trazem milhares de romeiros, que acompanham a tradicional ‘Missa Afro’, que sempre acontece no sábado e lota a Igreja de São Benedito, e a procissão de São Benedito, que passa pelas ruas centrais da cidade durante a tarde do domingo. O outro pilar é a cultura negra, manifestada principalmente no Batuque de Umbigada, dança afro-brasileira que data da época dos quilombos e que é uma notável expressão remanescente do século XIX. O Batuque começa na noite de sábado, após a missa, e vai até a manhã de domingo. Ele acontece no barracão da Igreja da Santa Cruz, um dos bairros com maior população negra da cidade, e traz vários elementos do período colonial, como a fogueira para esquentar e afinar os tambus, a canja de galinha, que alimenta os participantes de forma gratuita, e o café, para que as festividades se estendam até o amanhecer. Vale ressaltar que, apesar de muitos tentarem separar essas manifestações, como naquela relação entre sagrado e profano, é inegável que há ligação. No sábado, por exemplo, antes da Missa Afro há o levantamento do mastro de São Benedito e o que embala tudo isso é o Batuque. Nos tempos em que a Igreja ainda não tinha sino, apenas o som do tambu chamava as pessoas para a missa.

Esse recorte feito em Tietê é apenas um dos diversos retratos que podem ser vistos por todo o Brasil. Muita cultura não é valorizada, em especial a negra, já que muitas esferas sociais têm bastante preconceito e desconhecimento. Ainda pior que isso, muitas dessas manifestações estão se perdendo e deixando pra trás anos e anos de um Brasil tão rico, mas que não se é exaltado. Ações como essas de fortalecimento da identidade e da cultura devem ser incentivadas, para que a fruição cultural aconteça e que, mais importante, ela continue presente no dia a dia da população.

O documentário Viva São Benedito foi dirigido pelo jornalista João Victor Belline, idealizado pelo geógrafo Guilherme Capelini, e produzido pela dupla durante as festividades da 147ª Festa de São Benedito, em setembro de 2015. O conteúdo está disponível no YouTube e terá conteúdo adicional liberado na página oficial no Facebook.

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