Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

 O conceito de liberdade e a luta política são os principais pontos em pauta

O Coletivo Cultural Di Jejê organiza dois mini-cursos de formação política no sábado do dia 14 de maio, no Jardim Damasceno, Zona Norte de São Paulo. Às 10h, inicia-se o debate acerca do “conceito de liberdade no pensamento de Angela Davis”. Depois do horário do almoço, às 14h, começa a discussão sobre o “Feminismo negro e a urgência da luta organizada”.

“A Angela Davis trabalha de uma forma muito peculiar a noção de liberdade porque ela articula com a categoria de escravidão. À tarde nós vamos discutir o feminismo negro e quais são as estratégias que ele traz para uma luta real para a superação da barbárie em que a gente está inserido”, explica Jaqueline Conceição, doutoranda em Educação e coordenadora do Coletivo Di Jejê.MiniCursoJaque

O feminismo negro é um pensamento político que tem ganhado cada vez mais espaço entre as mulheres negras


O grupo promove os seus cursos de formação na periferia de São Paulo, em especial na Zona Norte. O principal objetivo do coletivo é o debate acerca da conjuntura atual sob a perspectiva de mulheres negras.

Jaqueline Conceição conta a expectativa em relação à atividade e à presença da comunidade negra. “A expectativa é que a gente tem um público de pessoas negras participando da formação, principalmente mulheres negras, que na verdade é o público essencial do coletivo mesmo. São as mulheres jovens negras que têm vindo para os encontros e que a gente consiga fazer um bom debate”.

O público de cada curso será de no máximo 20 pessoas e o tempo médio de cada atividade é de 4h. As inscrições podem ser feitas por meio dos links abaixo.

Conceito de Liberdade no Pensamento de Angela Davis

Feminismo Negro e a urgência da luta organizada

Confira a entrevista completa com Jaqueline Conceição:



Serviço:
Informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Valor: R$ 40,00
Tempo de duração: 3h

Texto: Pedro Borges / Foto: Pedro Borges

 Organizador do evento, jovem negro LGBT, é agredido durante as atividades

Entre os dias 30 de Abril e 1 de Maio, na cidade de Itajubá-MG, aconteceu a segunda edição da Ocupação Preta. O evento foi organizado por jovens pretos da cidade com o objetivo de discutir o espaço de negros, mulheres, LGBTs e moradores da periferia dentro da sociedade e no município de Itajubá.

No sábado, na região central, o público presente pôde apreciar e consumir alimentos vegetariano e acessórios voltados à comunidade negra, assim como acompanhar debates e intervenções musicais. Destaque para a apresentação das cantoras e compositoras Luedji Luna, MC Linn da Quebrada e Nina Oliveira. Ézio Rosa, Arthur Romeu, Renata Prado e Gabriela Gaabe fizeram também colocações acerca da violência contra os grupos minoritários.

Isso porque durante as atividades, Gabriel Hilair, principal organizador da Ocupação Preta, foi agredido por um sujeito que participava do evento. Antes mesmo do início do encontro, pichações de cunho homofóbico e racista foram encontradas.

OcupaçãoPreta13 Gabriel Hilair foi o principal idealizador da Ocupação Preta

Gabriel Hilair vê a violência contra a população negra e LGBT como cotidiana na cidade de Itajubá. “Eu enquanto bicha preta falo por mim e pelos meus amigos. A gente apanha diariamente. O fato da gente sair com um shorts curto pode ser o motivo da gente ir até a esquina e levar um pontapé. Na Ocupação tinham pichações e eu levei um murro nas costas. É um espaço muito hostil para a gente”.

A violência contra a população preta e LGBT não é exclusividade da cidade mineira. Em 2012, de acordo com o Mapa do Encarceramento e da Violência, 173.536 dos presos no país eram brancos e 295.242, negros. No mesmo ano, enquanto 9.667 brancos morreram por armas de fogo, outros 27.638 negros perderam a vida da mesma forma.

O país é também líder no mundo com relação à violência LGBT. Em 2013, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), que se utiliza de notícias de jornais e informações concedidas por ONGs, um LGBT é morto no país há cada 28 horas. Segundo ranking feito pela Associação Internacional de Gays e Lésbicas, o Brasil foi responsável por 44% das mortes de LGBTs em todo o planeta.

Linn da Quebrada utiliza a agressão como exemplo para reafirmar a necessidade das discussões interseccionais. “O que se evidenciou ali, além do racismo, é um machismo, uma virilidade que se coloca, onde tudo se resolve dessa maneira. Então há uma necessidade dessas coisas serem discutidas entre nós, porque nós mesmas, uma com as outras, deixamos a permanência dessas barreiras e do machismo estrutural”.

OcupaçãoPreta12 Cerca de 200 pessoas participaram das atividades do primeiro dia

Ocupação Preta, Feminina e LGBT do espaço público

Um dos principais motes de discussão do encontro era a utilização do espaço no município de Itajubá e na sociedade pelos grupos minoritários. “O espaço público é público. E se ele é público, ele deve ser de todo mundo. A cidade de Itajubá é majoritariamente branca, elitista, uma cidade universitária e essa iniciativa é de suma importância. Ela demarca que existem negros nesse local sim e que a gente tem que estar para além das periferias”, explica Luedji Luna.

Mais do que ocupar, o evento tinha o intuito de promover a troca de experiência e conhecimento entre negras e negros de diferentes localidades do país. Por este motivo, o segundo dia de atividades se concentrou na periferia do município e a presença de crianças e adolescentes foi marcante.

Wilber Chomba, professor de break e militante do Hip Hop, exaltou a possibilidade de aprendizado com o encontro. “A gente acaba passando muitas informações que as pessoas não têm. Isso fica retido. Na escola a gente não aprende e isso tem que ser passado de um para o outro. A gente precisa se unir mais para conseguir mobilizar as pessoas para o entendimento de que somos lindos sim e merecemos respeito”.

OcupaçãoPreta35 O segundo dia foi marcado pela presença de crianças e adolescentes

Avalição e novas ocupações

Apesar do caso de violência, Gabriel Hilair classificou a Ocupação Preta como excelente. “Era um evento, um rolezinho dos pretos, mas a gente tomou projeção internacional. Saímos no Afropunk, então, eu ainda não sei dizer o que eu estou sentindo. Eu não parei para pensar no que aconteceu ontem. Eu não vi foto ainda. Mas foi um dos dias mais felizes da minha vida”.

O julgamento positivo é um fator de motivação para Gabriel planejar novas ocupações pretas em Itajubá-MG. Na próxima edição, ele almeja contar com a parceria da prefeitura para garantir transporte gratuito da periferia para a região central. “Era para acontecer nessa, mas a prefeitura não deu apoio. A gente queria conversar com a Secretaria de Planejamento Urbano e conseguir uns dois ônibus para facilitar o acesso das pessoas ao centro e esse seria o começo da discussão de como a mobilidade urbana e a segregação espacial estão presentes aqui”.

 
Confira as entrevistas completas:

 

 


Texto: Portal Áfricas / Edição de Imagem: Pedro Borges


Nesta segunda-feira (2), estreia nas ondas da internet a Rádio Áfricas, que te conecta com o melhor da Black Music e suas vertentes como soul, samba, hip hop, reggae e muito mais.

A Rádio Áfricas é uma mídia alternativa que integra a Agência Áfricas, que por sua vez, abrange além da Rádio Áfricas, o site de notícias Portal Áfricas. Foi criada com o objetivo de dar voz a diversidade brasileira e fortalecer o respeito pela cultura negra.
Com uma tradição de mais de 8 anos no mercado o Grupo Áfricas tem se esforçado em romper com a barreira da grande mídia oferecendo informações diferenciadas para os nossos leitores. O projeto desde seu início tem como meta agregar as principais plataformas de mídias e agora estamos lançando a terceira etapa. Iniciamos com um Portal de notícias (2008), criamos a agencia de notícias (2015) e agora Rádio Áfricas (2016).


A Rádio Áfricas permitirá transmitir eventos como shows, fóruns, seminários e congressos ao vivo. Facilitando a maior participação da população negra em atividades de seu interesse.

Iniciamos as atividades da rádio com mais de 6.000 músicas (Nacionais e Internacionais), 10 programas semanais e  24 horas no ar.

Para este lançamento teremos os seguintes programas:

Black in Love; Billboard; Papo de Bamba; Clube Vip; Jamaica Paulista; Hip Hop; Classic Mix; Giro pelas Rodas; Cultne e Academia do Samba.

E ainda estamos finalizando outras parcerias. Também estamos abertos a novas propostas.

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