Com a aproximação do carnaval, a exotificação do corpo negro reaparece com força. Em meio a esse período do ano, é importante saber quais os malefícios da construção do sujeito negro enquanto malandro. Entenda como esse fator coloca a comunidade negra sob os olhares do braço armado do Estado.

O Programa de Intercâmbio faz parte da Década Internacional de Afrodescendentes

Texto: Solon Neto / Edição de Imagem: Solon Neto

Estão abertas inscrições para o Programa de Intercâmbio da ONU para Afrodescendentes. O prazo limite da inscrição é 31 de maio. Para candidatar-se é preciso ter ascendência africana e viver na diáspora. Também é necessário comprovar quatro anos de experiência em trabalho com direitos de pessoas afrodescendentes, falar inglês, ter disponibilidade para o programa, e ter o apoio de uma organização que atue em assuntos relacionados aos povos afrodescendentes ou direitos das minorias. O Programa será realizado de 21 de novembro a 9 de dezembro em Genebra, Suíça e faz parte do Programa de Atividades para a Implementação da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024)

Proclamada pela resolução da Assembleia Geral da ONU 68/237, a Década Internacional de Afrodescendentes tem como foco o reconhecimento, a justiça e desenvolvimento, e procura estimular nos estados membros a garantia dos direitos fundamentais dos afrodescendentes para a eliminação do racismo.

Mais detalhes sobre o programa e podem ser acessados na página de inscrição, que está em inglês: http://bit.ly/1ssBbit

Década Internacional de Afrodescendentes

O período de 2015 a 2024, sancionado pela Assembleia Geral da ONU, compõe a década dedicada aos afrodescendentes. Nela pretende-se garantir justiça, reconhecimento e desenvolvimento aos descendentes da diáspora. A organização de 193 países definiu os seguinte objetivos para a década:

  • Promover o respeito, proteção e garantia de todos os direitos humanos e liberdade fundamentais para os afrodescendentes, como reconhecido na Declaração Universal de Direitos Humanos;
  • Promover maior conhecimento e respeito sobre a diversa herança, cultura e contribuição dos afrodescendentes no desenvolvimento das sociedades;
  • Adotar e fortalecer medidas legais em âmbito nacional, regional e internacional, de acordo com a Declaração de Durban do do Programa de Ação e da Convenção Internacional para Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial.
  • Mapa do site da Década Internacional de Afrodescendentes mostra a rota do tráfico de escravizados. Cerca de 40% do africanos sequestrados vieram para o Brasil / ONU
  • Segundo a ONU, pelo menos 200 milhões de afrodescendentes vivem nas Américas. Mais da metade deles vive no Brasil. É internacionalmente reconhecida a vulnerabilidade social dos afrodescendentes, uma decorrência do racismo. Ainda segundo a entidade, os negros mundo afora são vítimas de violência policial, discriminação racial e judicial, além de baixa representação política e dificuldade de reconhecimento de suas lutas.

Ação afirmativa de reserva de vagas é tema do debate ‘O Sistema de Quotas e a Universidade Pública'”

Texto: Solon Neto / Foto e Edição de Imagem: Solon Neto 

Como parte de um ciclo de debates promovido pelo Centro de Documentação e Memória (CEDEM) em comemoração aos 40 anos da UNESP, o debate “O Sistema de Cotas e a Universidade Pública” reunirá pesquisadores da USP e da UNESP debruçados sobre a temática racial neste dia 20/05, às 18h30. O encontro será realizado no prédio da Universidade na Praça da Sé, nº108, 1ºandar, e faz parte de uma parceria entre o CEDEM e o Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão da UNESP, o NUPE.

As cotas continuam gerando incertezas e discussões nas universidades brasileiras. As cotas começaram a ser debatidas em âmbito governamental na Grupo de Trabalho Interministerial do Minstério da Justiça, liderado pelo professor Hélio Santos, criado no governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2001, na Conferência de Durban, o Brasil também assinou compromissos que seguiriam a adoção de políticas afirmativas, como se pode ver nos pontos 72 e 113 do documento. A discussão seguiu e mais tarde, em 2012, o Governo Fedral assinaria a Lei Nº 12.711 que instauração de políticas de reserva de vagas nas universidades e institutos federais. Aliada às ações do Prouni, FIES e Sisu, as instiuições de ensino superior, desde então, ampliaram seu número de estudantes pobres e negros.

No entanto, apesar da tendência, nem todas as universidades seguiram o exemplo das federais. É o caso das universidades paulistas estaduais, USP, UNESP e UNICAMP, das quais apenas a UNESP adotou um sistema de reserva de vagas em 2014. A iniciativa passou por um duro debate após uma primeira proposta que pretendia instituir os chamados “colleges”, cursos que supririam supostas deficiências dos cotistas antes que eles entrassem na universidade. Muito criticada, a proposta foi retirada e em seu lugar adotou-se uma progressiva reserva de vagas, que aumenta ano a ano da seguinte forma: 15% (2014), 25% (2015), 35% (2016), 45% (2017), 50% (2018).

Para fazer um panorama sobre as Cotas no Brasil, o debate no CEDEM trará os seguintes expositores:

Juarez Xavier 3

 

Profº Drº Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (UNESP-Bauru) e coordenador do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (NUPE/Unesp). Tem experiência em Jornalismo Especializado, atuando nos temas: afrodescendentes, fundamentos do jornalismo, mídia radical, economia criativa e gestão cultural.



Eduardo Galhardo

 Profº Drº Eduardo Galhardo, professor da Faculdade de Ciências e Letras (UNESP-Assis), assessor na Coordenadoria de Permanência Estudantil da UNESP e Editor-chefe da Revista Ciência em Extensão (PROEX-UNESP). Desenvolve trabalhos na utilização das Tecnologias de Informação e de comunicação aplicadas â Educação, atuando nos temas: Educação à Distância, Educação Inclusiva. Biologia aplicada a Psicologia de São Paulo.

 

Ricardo Alexino

 

Profº. Dr.º Ricardo Alexino Ferreira, professor livre docente da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Membro da Comissão de Direitos Humanos da USP e Coordenador do Programa USP Diversidade. Tem se dedicado aos estudos de etnomidialogia (questões étnico-sociais) e desenvolvido pesquisas de construções de identidades e memórias de intelectuais dos países africanos de língua portuguesa.

 

 

Meditação:

Maria Cândida Soares del Masso 1

 

Profª. Drª. Maria Cândida Soares del Masso, professora do Departamento de Educação Especial da Faculdade de Filosofia e Ciências  (UNESP-Marília). Tem se dedicado aos estudos de educação e educação especial, com ênfase em reabilitação profissional, profissionalização de pessoas com deficiência e formação de professores para educação especial e inclusiva.

 

As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas pelo email “Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.” ou pelo site: http://www.cedem.unesp.br/#!/form/.

Para mais informações ligue para (11) 3116–1701 ou acesse o site www.cedem.unesp.br.

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