Texto: Afreaka / Imagem: Amanda Oliveira / Edição de Imagem: Pedro Borges

O ‘Festival Afreaka: encontros de Brasil e África Contemporânea’ ganhou novas dimensões, e agora, em sua segunda edição, desembarca em São Paulo com programação em centros culturais dos quatro cantos da cidade. Realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, o evento que ocorre entre os dias 1º e 25 de junho, conta com representantes de países como Quênia, Nigéria, Uganda, Zimbábue, Egito, África do Sul, Gana, Moçambique e Angola que veem para trocar experiências, sonhos e reflexões com pensadores e artistas afro-brasileiros, consolidando-se como o maior festival de cultura africana contemporânea do país.

A programação, que nasce para questionar um fluxo de informações estereotipadas das Áfricas e das culturas afro-brasileiras, busca por uma narrativa que enxergue a presença africana como parte fundamental na formação do Brasil, ressaltando a importância de estabelecer uma relação mais próxima com um dos principais centros de origem da nossa gente. Além de palestras e debates inéditos, uma mostra de cinema contemporâneo, seis exposições de arte, uma feira de empreendedorismo negro, apresentações de dança, música, grafite e performances marcam as atrações do Festival Afreaka.

Djamila Ribeiro é presença confirmada no II Festival Afreaka. Foto: Alile Dara

O evento ocorre na Galeria Olido, Centro Cultural de Formação Cidade Tiradentes, Centro Cultural da Penha, Centro Cultural da Juventude e Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. Assim, os pontos de encontros desse intercâmbio democrático, que descentraliza o acesso à informação, trazem à tona temas relevantes sobre a importância da multiplicidade de versões para a construção identitária, revelando Áfricas ativas e donas de suas próprias histórias.

Mirando a multiplicidade de vozes, o II Festival Afreaka traz para a abertura, que acontece na Galeria Olido no dia 1º, Pathisa Nyathi, o reconhecido escritor e historiador do Zimbábue e consultor da Unesco para a Comissão Nacional de Patrimônios Culturais Intangíveis. Marcará também presença na programação Wole Soyinka, considerado um dos maiores intelectuais do século XX e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1986. Os aspectos entre o feminismo negro no Brasil e em Uganda são analisados pela Mestra em Filosofia e Política e doutorando Djamila Ribeiro, defensora da interseccionalidade no movimento brasileiro, e Edna Namara, escritora ugandense que usa a literatura para inspirar e empoderar mulheres.

As conversas promovidas pelo festival também abordarão a produção tecnológica em África e Brasil com a soteropolitana Monique Evelle, criadora do Ubuntu, primeira rede social com material sobre a história da cultura afro-brasileira e o nigeriano Adebayo Adegbembo, responsável pela concepção do aplicativo Asa, voltado para a preservação da cultura e língua Iorubá. Ainda, a cantora soteropolitana Nara Couto leva até a zona leste de SP o show Outras Áfricas, resultado da fusão do jazz com elementos da música baiana e africana contemporânea. O encontro entre as grafiteiras Criola e Aya Tarek resulta em intercâmbio artístico e feminista entre Brasil e Egito. Teatro, dança, performance, oficinas práticas e uma mostra de cinema arrebatam por fim a programação inédita, que será inteiramente gratuita no centros culturais e a preço popular no SESC-CPF.

Wole Soyinka, considerado um dos maiores intelectuais do século XX e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1986

Interatividade, artes visuais e tecnologia: seis exposições espalham a África de leste a oeste

O Festival conta também com seis exposições fixas que vestirão de África os centros anfitriões do evento. A Galeria Olido recebe a mostra ‘África é Você’, que com instalações únicas, jogos de espelhos, frases e registros gastronômicos, aposta na interatividade para que o público conheça e se identifique com sua própria África. No mesmo prédio, o destaque é também da mostra ‘AfriKbytes: Arte Digital Africana’, que de forma inédita no país, recorre aos GIFs, videoarte e desenhos digitais para uma curadoria atualizada dos olhares artísticos da web africana. No Centro Cultural da Penha, o encontro entre os artistas Moisés Patrício e Bianca Leite resulta na exposição Entre o que Nos Forma e Nos Formata, que, partindo da visão transgressora da ativista e feminista negra Bell Hooks e do educador Paulo Freire, trava uma discussão sobre origem, posse, educação, racismo e feminismo na formação do brasileiro. O centro recebe também a mostra de fotografia Olhares Afro-Contemporâneos, em um encontro explosivo de cores e contrastes das lentes africanas e afro-brasileiras. Por fim, no Centro de Formação Cidade Tiradentes, a Exposição Protagonistas Africanos convida o público para um mergulho nas expressões contemporâneas que abordam sustentabilidade, artes e sabedorias complexas do continente negro. Ali, ainda, a mostra Mulheres Africanas, da artista plástica Surama Caggiano, traz composições em mosaico de inspiradoras mulheres negras, que estimulam o povo brasileiro a ir ao encontro de sua origem em África.

Saiba mais:
O Festival Afreaka é inspirado na proposta do Coletivo Afreaka (www.afreaka.com.br), que se apresenta como uma plataforma de mídia, educação e produção cultural, que comunica para desenvolver e quebrar velhos pensamentos estereotipados acerca de África e tudo que envolve suas histórias e culturas. Pensando de maneira horizontal, o projeto se estabelece como alternativa sólida para os que desejam ir de encontro com suas origens.

Serviço:

Onde:

Galeria Olido: Avenida São João, 473 – República, São Paulo.

Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes: Rua Inácio Monteiro, 6900 – Cidade Tiradentes, São Paulo

Centro Cultural da Penha: Largo do Rosário, 20 – Penha, São Paulo

Centro Cultural da Juventude: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo

Centro de Pesquisa e Formação do SESC: Rua Doutor Plínio Barreto: 285 – Bela Vista, São Paulo

Quando: Do dia 1 a 25 de Junho

Quanto: gratuito no Centros Culturais e a preço popular no SESC

Evento no Facebook

Confira a programação completa em  www.festivaafreaka.com

Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

“Nem só de poesia vive o poeta, há o fim do mês”, já dizia um dos versos do poema de Solano Trindade. Não muito distante desta abordagem, Carolina Maria de Jesus no anos 1960 também refletia a realidade dura classe trabalhadora, principalmente o trabalhador negro. “Como é sacrificada / A vida do trabalhador: / o salário sobe de escada, / os preços de elevador”. Em tempos de crise política e econômica atualmente no Brasil, tão atemporal são esses versos de grandes poetas da cultura afro-brasileira e que serão resgatados na web-série Palavra Negra, que entrou no ar hoje em seu canal no youtube.

Criado pelo Coletivo homônimo Palavra Negra, de Vitória, a web-série irá reunir um conjunto de filme-poesias de autores e escritores afro-brasileiros. As interpretações e declamações ficaram a cargo de nove jovens poetas de periferia da Grande Vitória, que, além de recitarem seus próprios poemas, recitarão poesias de nomes como Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento, Solano Trindade entre outros. Poetas negras capixabas de destaque nacional na atualidade também tiveram espaço garantido como as poetas e atrizes Elisa Lucinda e Suely Bispo, que atualmente vive a personagem Doninha na novela Velho Chico da Rede Globo.

Veja o primeiro episódio: 

Para além da valorização da literatura afro-brasileira, a web-série irá tratar de assuntos importantes como racismo e a mortalidade da juventude negra. “O jovem negro do Espírito Santo se encontra num estado de extrema vulnerabilidade onde as políticas públicas para essa população não chega. O resultado disso não poderia ser outro a não ser esses altos índices de violência” ressalta Adriano Monteiro, coordenador e membro do coletivo Palavra Negra. De acordo com Atlas da Violência 2016, lançado em março deste ano, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Espírito Santo registrou, em 2014, 96,2 homicídios de jovens por grupo de 100 mil pessoas jovens. Índices muito superior que a média nacional que naquele ano foi de 61 mortes por 100 mil.

Daiana Rocha, produtora do coletivo, destaca outro aspecto importante do projeto. A sua relevância para o ambiente escolar, isto é, a contribuição da web-série como instrumento pedagógico, tendo em vista, a implementação da Lei 10.639, que visa o ensino da cultura africana e afro-brasileira nas redes de ensino público e privado. “Gostaríamos de ver os autores afro-brasileiros sendo mais trabalhados nas escolas. Infelizmente, não vemos. E a série Palavra Negra pode contribuir para isso”, afirma Daiana.

Para acompanhar a série só acessar clique aqui

Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

O vencedor receberá R$20 mil; as inscrições podem ser realizadas até 17/06

A Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) está com inscrições abertas para o edital “Monumento a Zumbi dos Palmares”, que irá selecionar e premiar o melhor projeto para a construção de uma escultura, na cidade de São Paulo, em homenagem ao ícone da luta negra. Podem participar do concurso cultural todos os cidadãos brasileiros negros e negras, e o prazo final para envio dos projetos é dia 17 de junho.

O concurso tem o objetivo de celebrar, por meio do símbolo de Zumbi dos Palmares, o papel da população afrodescendente no desenvolvimento do país e do município de São Paulo, honrando suas contribuições sociais, culturais, políticas e econômicas à sociedade. Ainda, busca inserir os cidadãos negros no acesso a recursos públicos para produção de artes visuais e promover sua participação na construção da cultura e historiografia brasileira.

A escultura será instalada nas proximidades da Praça Antônio Prado, localização da antiga Igreja do Rosário dos Homens Pretos, no centro da capital. “A construção do monumento oferece à população negra um espaço de identificação e valorização da sua história, um passo essencial em nossa missão de promover a igualdade racial também nos espaços públicos da cidade”, afirma Maurício Pestana, Secretário Municipal de Promoção da Igualdade Racial.

Release Monumento Zumbi 200x300Os projetos serão avaliados por uma comissão julgadora formada por representantes da SMPIR e da Secretaria Municipal de Cultura, artistas plásticos, e líderes do movimento negro. A análise será realizada de acordo com cinco critérios: qualidade estética do projeto; originalidade; apelo simbólico compatível com a luta da população negra; compatibilidade da escultura com o espaço proposto; e exequibilidade da obra de acordo com o cronograma de execução. Além dos fundos necessários para a execução e instalação do monumento no valor de R$ 100 mil, o artista vencedor receberá um prêmio de R$ 20 mil.

Os dados para envio dos projetos e o edital completo podem ser acessados no site oficial da SMPIR: http://goo.gl/elSTC9.

 

 

 

Sobre a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial:

A SMPIR tem a finalidade de formular, coordenar e articular políticas e diretrizes para a promoção da igualdade racial e avaliação das políticas públicas de ação afirmativa, com ênfase na população negra. A política de ação afirmativa é o instrumento por meio do qual se busca a promoção dos direitos dos indivíduos e grupos étnico-raciais que sofreram injustiças históricas e, ainda hoje, sofrem com desigualdades sociais motivadas pela discriminação racial e demais formas de intolerância.

Informações:

https://www.facebook.com/SMPIRSP/

Raquel Reis – (11) 4571- 0920 / (11) 94301- 8542
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