Entrevista: Pedro Borges / Entrevistada: Janaína Damaceno

Professora Adjunta da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ). Doutora em Antropologia Social (2013) pela USP, Mestre em Educação (2008) e Bacharel em Filosofia (1999) pela Unicamp. Realizou o pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, com o projeto "Uma Vida em Arquivos", cuja temática era a formação de arquivos visuais e audiovisuais de movimentos sociais negros no Brasil, na África do Sul e nos Estados Unidos. Um dos resultados da pesquisa foi a realização do curso de extensão "Cinema Negro, Fotografia e Políticas de Representação". Em março de 2014, participou das Jornadas Cinematográficas da Mulher Africana de Imagem em Burkina Faso. Em novembro e dezembro de 2014, realizou pesquisas no Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC) de Moçambique e na África do Sul. Desde novembro de 2013 é uma das coordenadoras do Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE).

P: Qual a importância de se ter um ídolo ou um ícone que seja a imagem e semelhança da pessoa? Qual a importância disso para a identidade dos seres humanos?

R: Vivemos numa sociedade de imagens e elas ajudam a construir a ideia que temos de nós mesmos e dos outros. Elas ajudam a construir nossas identidades porque este não é um processo solitário, ele é um processo solidário. O que dizem e como nos representam é central no processo de produção de identidades, e a cultura visual e audiovisual, pela sua centralidade em nossa sociedade, é um dos principais espelhos na construção das identidades sociais e individuais.

 

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Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Primeira edição aconteceu em 2002, na Praça Benedito Calixto, São Paulo

Nos dias 26 e 27 de Novembro, a Feira Preta chega ao Rio de Janeiro pela primeira vez em sua história. Das 10h à meia noite, no Museu Mar e na Praça Mauá, o festival promete reunir artistas, ativistas, acadêmicos e cerca de 100 expositores. Toda a programação é gratuita.

Para Adriana Barbosa, gestora de projetos e idealizadora da Feira Preta, realizar a primeira edição no Rio de Janeiro, depois de quinze anos de evento, é um sinal de consolidação do festival. “Desde 2002, existem edições interruptas da feira em São Paulo e esse amadurecimento não é só o de conquistar um novo território, mas também toda uma rede que se cria entorno da Feira Preta. O amadurecimento passa por entender a dinâmica de outro lugar, outra cidade, estabelecer conexão com as pessoas do local, com o comércio, com os empreendedores e com o movimento social, que muito ajuda no conteúdo da Feira”.

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Será um final de semana com programação diversificada nos dois principais espaços da Feira Preta. Além dos empreendedores negros dos ramos da moda, acessórios, gastronomia e literatura, no palco montado na Praça Mauá, muitas são as atrações. No sábado, às 14h tem roda de samba e às 18h30, Baile Black Bom. No domingo, às 19h30 tem Batekoo e às 21h20, encerramento com Filhos de Gandhi.

No auditório do Museu Mar, a Feira Preta promove o Festival Black Codes. O projeto consiste na elaboração de serviços de planejamento estratégico de comunicação e negócios, entre outras ofertas, sobre o tema da diversidade racial e o posicionamento de marca. Serão rodas de conversas sobre empreendedorismo, a necessidade de fortalecer a cadeia de afroempreendedores, feminismo negro, afroconsumo e transição capilar.

“Segundo o Data Popular, a população negra movimenta cerca de 600 bilhões. É muito dinheiro que passa na mão da população negra e mesmo assim não se encontra eco. E nesses três anos, a Black Codes conseguiu observar um amadurecimento do mercado, mesmo que ainda muito inicial, mas a gente vê alguns setores se abrindo e já entendendo que o público negro também consome”, explica Adriana Barbosa.

Programação completa da Feira Preta no Rio de Janeiro pode ser conferida no evento no Facebook.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Atividade marca o lançamento da campanha de assinaturas e loja virtual do Alma Preta, portal de imprensa negra

No dia 26 de Novembro, sábado, o Alma Preta, portal de mídia negra, organiza um encontro para discutir a democratização da mídia no país. A atividade tem início às 13h e acontece no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Rua Rêgo Freitas, 530, centro.

Os convidados para o debate são Rosane Borges, pós-doutoranda na USP, Dennis de Oliveira, professor da USP, Aline Ramos, idealizadora do blog Que Nega é Essa?, e Oswaldo Faustino, integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, COJIRA. O poeta Akins Kintê participa da abertura da atividade com intervenções poéticas.

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O evento também serve para o Alma Preta divulgar a sua campanha de assinaturas e loja virtual como formas de sustentar o projeto. “É importante que a mídia negra se adeque aos novos modelos de negócio existentes no jornalismo. Essa missão é fundamental para a manutenção de uma prática independente e qualificada”, explica Vinicius de Almeida, co-fundador do Alma Preta.

Criado em Maio de 2015 pelos então estudantes de jornalismo Pedro Borges, Vinicius de Almeida, Solon Neto, e de design, Vinicius de Araújo, o Alma Preta faz cobertura de eventos da comunidade negra e produz reportagens sob a perspectiva racial. O projeto propõe uma reflexão sobre o racismo existente no Brasil e a democratização da mídia.

De acordo com dados da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), apenas 22% dos jornalistas se autodeclaram negros. Para Vinicius de Almeida, é importante que haja uma maior diversidade na imprensa do país. “A democracia exige a pluralidade de opiniões e olhares. O jornalismo, como peça de extrema importância para o ambiente democrático, precisa refletir a diversidade da sociedade brasileira”.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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jornalismoalmapreta(@)gmail.com

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