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Documentarista realizou 30 entrevistas à distância com pessoas diversas e dividiu em cinco partes; episódios estão disponíveis no YouTube

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Divulgação

O isolamento social por conta da pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, mudou a rotina de muitas pessoas. Um olhar sobre essa transformação no cotidiano e os processos individuais para levar a vida adiante são mostrados nps cinco episódios da websérie “Retalhos de Solidão. O projeto foi idealizado por Hilário Bispo, de 53 anos, e Luciano Ferreira Alves, de 44,  que fizeram a produção, montagem e edição da obra, desde o início da pandemia no país, em março.

“A ideia da série é mostrar para as pessoas que, neste momento, as dificuldades que elas têm não são necessariamente exclusivas delas”, diz Bispo, que foi coordenador-executivo do Núcleo de Consciência Negra da USP e é formado em Teologia das Religiões Afro-brasileiras.

Para Bispo, os depoimentos também mostram que existem estratégias de sobrevivência em tempos de isolamento social. “É um exercício para que as pessoas possam ouvir outras pessoas e entender outros processos e vivências que podem ser úteis na sua vida. É também o registro histórico dos nossos dias”, comenta.

Uma das histórias contadas no primeiro episódio é a de Regilene. “Ela trabalha com faxina e com cozinha. Ela estava fazendo faculdade de gastronomia e teve que trancar o curso. Ela não conseguiu lidar bem com o isolamento e acabou recorrendo a uma ajuda psicológica online gratuita e se recuperou”, explica Bispo.  “É a representação da mulher negra que batalha para criar o sucesso de homens e mulheres negras”, acrescenta.

Outro relato é de uma mulher chamada Vanessa, que diz que sempre trabalhou muito e tem um filho com problemas na fala. “A convivência com o filho no isolamento ajudou ele a lidar com o problema e Vanessa concluiu que não valia a pena trabalhar tanto e ficar longe da família”, relata Bispo.

As entrevistas foram gravadas pelo celular. “Com a pandemia, o mais correto foi pedir que cada um gravasse o próprio depoimento e depois os episódios foram editados”, explica o documentarista.

Nos anos 90, Hilário Bispo participou das lutas do movimento negros pelas políticas de ações afirmativas como cotas em universidades públicas e a campanha “Reparação Já”. Ao todo, foram feitos 30 depoimentos, divididos em cinco partes. Os três primeiros episódios estão disponíveis no YouTube. Os dois últimos vão ao ar nos dias 5 e 12 de julho. 

Confira o teaser:

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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