fbpx

Internautas fizeram comentários discriminatórios nas redes sociais sobre a cor de pele dos garotos mortos em incêndio no Rio de Janeiro

Texto / Pedro Borges
Imagem / Reprodução Facebook

Dez jovens entre 14 e 16 anos foram mortos no Rio de Janeiro, vítimas de um incêndio no CT do Flamengo, em Vargem Grande, zona oeste da cidade, no dia 8 de Fevereiro, sexta-feira. O tema ganhou repercussão e entre os comentários sobre o fato surgiram manifestações racistas contra os garotos.

O tom de pele dos jovens e o fato de terem sido carbonizados motivaram alguns comentários. “Já ouvi falar em churrasquinho de gato, agora de urubu é a primeira vez”, “Os mulambento amanheceu pegando fogo” e “Dizem que esse jogador teve 40% do corpo queimado. Acho que é 100%” foram alguns dos comentários.

Meninos queimados vítimas de racismo corpo

Comentário racista nas redes sociais contra meninos vítimas de incêndio no Rio de Janeiro (Imagem: Reprodução/Facebook)

Dos dez jovens vítimas do incêndio no Rio de Janeiro, oito são negros. O nome de todos os mortos são: Arthur Vinícius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo Viana, Samuel Thomas Rosa, Vitor Isaías. Três jovens ainda estão internados: Kauan Emanuel, Francisco Dyogo e Jonatha Ventura.

Os adolescentes estavam no clube no período de exames fisiológicos. Depois da última atividade no dia 7 de Fevereiro, quinta-feira, a maior parte dos atletas retorno para suas casas, por conta de folga dada pelo Flamengo. Parte dos jovens ficou no Rio de Janeiro e se utilizou das instalações do Centro de Treinamento.

A estrutura do Flamengo não possui licença para dormitório e nem a Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros, segundo a prefeitura da cidade e a Secretaria de Defesa Civil.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com