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Mesmo com a pandemia da Covid-19, número de mortos em ações policiais cresceu em São Paulo; especialistas apontam que o racismo precisa ser combatido para frear violência do Estado

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

O Brasil está próximo de chegar a marca de 100 mil mortes por Covid-19, o novo coronavírus. São Paulo é o estado mais atingido, com mais de 24 mil mortes até o início de agosto.

A doença, que tem causado um pânico global, não é a única a matar no estado paulista. Nos primeiros três meses da pandemia, o número de mortes em ações policiais aumentou consideravelmente na comparação com o mesmo período do ano passado, com 262 óbitos entre março e maio.

Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, 76 pessoas foram assassinadas por policiais em março, 116 em abril e 71 em maio. Em abril de 2019, foram 76 mortos, e em maio, 67, totalizando 143 óbitos, 44 a menos que nos dois meses de 2020.

“A maior contradição da segurança pública é o racismo. A gente vive em uma sociedade racista e que nega o racismo, o que se percebe é que se não houver uma pressão dos movimentos sociais, essa questão não é discutida”, destaca Katiara Oliveira, da Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de mortos por policiais em serviço somente em abril é o maior em um mês desde 2006, quando diversos confrontos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram 137 mortos.

O órgão responsável por fiscalizar os abusos policiais no estado paulista é a Ouvidoria da Polícia, formada por 17 integrantes que atuam com independência dentro da estrutura da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Esses profissionais são responsáveis por administrar queixas sobre o trabalho de 84 mil policiais militares e 12.900 policiais civis em todas as 645 cidades do Estado. A média é de 15 mil registros por ano.

Confira a entrevista completa:

Esta reportagem faz parte do projeto #NoCentroDaPauta, uma realização das iniciativas de comunicação Alma Preta, Desenrola e Não me Enrola, Embarque no Direito, Nós, Mulheres da Periferia, Periferia em Movimento, Preto Império e TV Grajaú, com patrocínio da Fundação Tide Setúbal.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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