Atividade reuniu cerca de 600 alunos de diferentes periferias de São Paulo e do interior para homenagear figuras como Sueli Carneiro, Jupiara Castro, Maria José Menezes, Milton Barbosa e Regina dos Santos

Texto / Pedro Borges
Foto / Pedro Borges

O auditório da geografia da USP recebeu cerca de 600 jovens negros e moradores das periferias de São Paulo e do interior, entre as 10h e as 17h de sábado (14), para participar da aula pública “130 anos depois: educação e direitos humanos pela vida do povo negro brasileiro”. O encontro foi organizado pela rede de cursinhos populares Uneafro.

Diversas figuras do campo dos direitos humanos e do movimento negro se revezaram na missão de apresentar um tema, em curto espaço de tempo, para a plateia de jovens presentes. Uma das colocações foi de Maria Carolina Trevisan, dos Jornalistas Livres, sobre “Mídias, manipulação e democracia”.

Depois das apresentações, os adolescentes eram instigados a anotar o que haviam aprendido e estudar mais sobre o tema em casa.

Douglas Belchior, fundador da Uneafro, conta que a organização se esforça para todo ano reunir os núcleos populares da grande São Paulo.

“Nesse ano nós tematizamos os 130 anos da abolição inconclusa da escravatura. Tocamos temas que para nós são muito importantes, o primeiro deles a discussão sobre mídia e o segundo sobre os direitos da criança e do adolescente”, afirma.

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Douglas Belchior, fundador da rede de cursinhos populares Uneafro. (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

O público também presenciou e participou da homenagem feita pela Uneafro para lideranças históricas do movimento negro, como o Geledés - Instituto da Mulher Negra, na figura da filósofa Sueli Carneiro, o Núcleo de Consciência Negra da USP, representado por Jupiara Castro, fundadora da organização, e Maria José Menezes, integrante do grupo, e o Movimento Negro Unificado, na pessoa de Milton Barbosa, um dos fundadores, e Regina dos Santos, integrante do MNU. Outros homenageados foram Talita Gomes e Thiago Silva, integrantes da Uneafro.

A primeira edição do prêmio Marielle Franco recorda a luta e a trajetória da ex-vereadora eleita no Rio de Janeiro, assassinada em 14 de março. O caso da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, também vítima de homicídio naquela noite, seguem sem resolução.

Douglas Belchior conta que, para além da defesa dos direitos da população pobre e negra, Marielle Franco foi formada pelo trabalho de cursinhos populares na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

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Intervenções culturais fizeram parte da programação de sábado (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

“Marielle foi fruto, e ela dizia isso com muito orgulho, dos trabalhos de base dos cursinhos populares dentro da Maré. É exatamente o mesmo trabalho que a Uneafro organiza em São Paulo há 10 anos”.

O fundador da Uneafro afirma que o prêmio acontecerá todo o ano e tem como objetivo reconhecer lideranças históricas do movimento antirracistas vivas, que enfrentaram e enfrentam o genocídio negro.

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