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Aula pública reunirá mais de mil estudantes dos núcleos da rede de cursinhos populares; entre os homenageados estão a família de Marielle Franco, o Sarau da Cooperifa, e Silmara Moraes, cozinheira de Suzano que salvou a vida de diversos jovens, entre outros

Texto / Pedro Borges
Imagem / Reprodução

A Uneafro comemora 10 anos de existência em evento especial no dia 30 de Março, sábado, a partir das 9h, no auditório da FFLCH-USP. A atividade também marca a entrega da segunda edição do prêmio Marielle Franco, uma forma de homenagear ativistas de direitos humanos e recordar o legado da ex-vereadora do Rio de Janeiro, assassinada em 14 de Março de 2018.

“É preciso celebrar esses 10 anos de trabalho, em que centenas de professores voluntários se engajaram e mais de 15 mil estudantes foram atendidos. Centenas de jovens negras, negros e pobres chegaram em Universidades, conseguiram melhores empregos, aumentaram suas rendas e mudaram a trajetória histórica de suas famílias. Um número incontável de comunidades e bairros periféricos foram impactados”, afirma Douglas Belchior, um dos fundadores da organização.

A rede de cursinhos populares, criada em 2009, hoje tem cerca de 35 sedes, a maioria delas nas periferias capital paulista e na grande São Paulo. Cerca de mil estudantes são esperados para a atividade de sábado, que será uma aula pública sobre temas como racismo e direitos humanos. No período da tarde, o grupo de jovens fará um tour pela Universidade de São Paulo (USP).

Para Douglas, a Uneafro luta por meio da educação para tirar a comunidade negra da condição de vulnerabilidade e como forma de enfrentar o genocídio.

“A principal missão da Uneafro é tirar o corpo negro e pobre da linha do tiro, do contingente encarcerado pelo estado, da fila do hospital e dos números das estatísticas da violência. Para isso, desenvolve ações que busca oferecer oportunidades de estudo e trabalho, sempre acompanhada por uma permanente formação cidadã, justamente para que esses jovens alcancem a compreensão dos motivos que geram tanta violência, desigualdade e injustiça”, afirma.

Os nomes a serem homenageados são o Sarau da Cooperifa, Associação de Amigos e Familiares de Presas/os (AMPARAR), Cida Bento, uma das fundadoras do CEERT, e Anielle e Luyara Franco, irmã e filha da ex-vereadora Marielle Franco, e Silmara de Moraes, cozinheira que ganhou espaço na mídia depois de defender diversos jovens em ataque a escola em Suzano-SP. Durante a atividade, também haverá apresentação do Pagode na Disciplina, roda de samba do Jardim Miriam, zona sul da cidade.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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