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Portal foi criado em 2015 e hoje tem milhares de visualizações e seguidores nas redes sociais

Texto / Redação | Edição / Simone Freire | Imagem / Reprodução

A agência de jornalismo Alma Preta completa cinco anos nesta segunda-feira (27). Com foco em uma cobertura antirracista, o portal foi fundado em 2015, após a formação do Coletivo Negro Kimpa, grupo de estudantes negros da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP).

A inspiração veio da luta da imprensa negra brasileira que, ativamente, contribuiu, apoiou e promoveu a reflexão social e política acerca dos efeitos do racismo no Brasil e no mundo.

“Nosso dever não é apenas informar, mas também produzir conteúdos de utilidade pública que alcancem os anseios da comunidade afro-brasileira. Por isso, nós assumimos o caráter político de valorização do conhecimento e da cultura negra, bem como de exigência de direitos e questionamento ao Estado em todas as nossas produções”, diz Pedro Borges, editor-chefe da agência.

Fundada em 27 de abril de 2015 por Pedro Borges, Vinicius Martins, Vinicius Araújo e Solon Neto, no início de 2016, o Alma Preta foi o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Pedro Borges.

Além da cobertura da luta antirracista no Brasil e no mundo, nestes cinco anos de existência, coberturas marcantes fizeram parte do trabalho do Alma Preta. Entre elas, a do assassinato de Luana Barbosa, negra, mãe, lésbica e moradora da periferia abordada e agredida por policiais militares em Ribeirão Preto (SP).

Os desdobramentos do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes também fizeram parte de uma cobertura especial do Alma Preta, que buscou dar visibilidade à sua família, mostrando um outro olhar - preto e periférico - do caso.

“A gente acredita que as reportagens ajudam na construção das pessoas. Lidar e falar da questão racial no país ainda é um tabu. É muito difícil! Então, tudo que fazemos é uma forma de prestação de serviços. É pensado para a população tanto negra quanto branca, mas que precisa saber e estudar sobre o racismo no país”, conta Simone Freire, editora da agência.

Desafios

A agência de jornalismo tem metas e desafios ambiciosos para o futuro. Segundo Pedro Borges, há o objetivo de ampliar a cobertura. “O Alma Preta tem como meta desenvolver uma cobertura, como a atual, sobre outras regiões do país, dar conta do mundo rural e das florestas, em especial no que diz respeito às comunidades quilombolas, e ter ainda mais capilaridade nas periferias dos grandes centros urbanos”, afirma.

Para se manter, o Alma Preta buscou vários caminhos. Além de parcerias com instituições, uma campanha recorrente de assinatura está aberta para colaborações.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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jornalismoalmapreta(@)gmail.com