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A afetividade é um dos temas mais delicados à comunidade negra, em especial às mulheres negras. Para discutir o assunto, Stephanie Ribeiro e o Coletivo coordenam um encontro de formação sobre a solidão da mulher negra.

Texto / Pedro Borges
Imagem / Divulgação

No dia 18 de março, sábado, das 14h às 18h, Stephanie Ribeiro coordena curso sobre a solidão da mulher negra. A formação, organizada em conjunto do Coletivo Dijejê, acontece no Aparelha Luzia, Rua Apa, 78, centro. As inscrições podem ser feitas aqui.

O curso tem 20 vagas e oferece às e aos participantes a possibilidade de discutir um dos principais problemas da comunidade negra, e em especial das mulheres negras, a afetividade. No último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado em 2010, os números apontavam que 52,52% das mulheres negras não viviam em união, independente do estado civil.

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A pesquisa também aponta como as preferências afetivas de homens negros e mulheres negras são distintas. De acordo com o documento, "homens pretos tenderam a escolher mulheres pretas em menor percentual (39,9%) do que mulheres pretas em relação a homens do mesmo grupo (50,3%)".

A partir dos dados, Jaqueline Conceição, fundadora do Coletivo Dijejê, aponta para a relevância da participação de mulheres e homens negros no debate. "Esperamos receber toda mulher negra, assim como aguardamos os homens negros. A afetividade é um problema do nosso grupo étnico, e precisa ser compreendida na sua totalidade".

Para o encontro, o local escolhido foi o Aparelha Luzia, espaço que abriga diversas atividades políticas e culturais da comunidade negra na cidade. "O Aparelha é um ponto de ressignificaçao do que é ser preto, e isso também passa pelo afeto e pela afetividade. Em última instância, o curso também vai ser um ambiente para nós negros e negras repensarmos formas de compartilhar e construir afetos", explica Jaqueline.

A curadoria da formação fica por conta de Stephanie Ribeiro, arquiteta, ativista e pesquisadora de temas ligados a negros e negras no Brasil e no mundo. O Coletivo Dijejê junta-se à Stephanie Ribeiro na coordenação das atividades.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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