Estudo do IBGE baseado no rendimento mensal dos brasileiros mostra que a desigualdade de renda ainda perdura no país

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Pixabay

A desigualdade salarial entre negros e brancos no país ainda é uma questão problemática no mercado de trabalho. Em 2018, os trabalhadores negros receberam, em média, cerca de 75% a menos que os brancos. 

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), divulgada na quarta-feira (16).

A média salarial dos trabalhadores brancos era de R$ 2.897 no ano passado, enquanto a dos pardos era de R$ 1.659 e a dos pretos era de R$ 1.636. Isso significa que o salário recebido por uma pessoa branca foi superior ao recebido por uma pessoa parda (74%) e por uma pessoa preta (77%). O IBGE classifica como negro a soma das pessoas autodeclaradas pardas ou pretas.

Na comparação com 2017, a disparidade salarial entre negros e brancos permaneceu estagnada. Em 2016, a diferença chegava a 80%.

Maior escolaridade, maior renda

Quanto maior o nível de instrução, maior a média salarial de todos os trabalhadores. Em 2018, os brasileiros com ensino superior completo recebiam quase três vezes maior do que os com ensino médio completo.

As pessoas com ensino fundamental, no entanto, tiveram alta de 57,8% na renda, chegando a R$ 1.436. Os trabalhadores sem escolaridade apresentaram o menor rendimento (R$ 856).

Homens ganham mais

Segundo o estudo, o salário dos homens é superior à renda das mulheres. No ano passado, os trabalhadores recebiam R$ 2.460 e as trabalhadoras ganhavam R$ 1.938, o equivalente a 78,8% do salário dos homens.

Salário do Sudeste é o dobro do Nordeste

O IBGE também identificou que os trabalhadores do Sudeste ganham mais que o dobro dos trabalhadores do Nordeste. Na região mais rica do país em 2018, a média salarial era de R$ 1.639, enquanto no Nordeste era de R$ 815.

Concentração de renda

O rendimento médio da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que o dos 50% mais pobres em 2018. Isso significa que a parcela mais rica dos brasileiros recebeu R$ 27.744 por mês, enquanto a mais pobre ganhou R$ 820.

De acordo com a pesquisa do IBGE, a desigualdade de renda foi agravada devido ao aumento de 8,4% na renda das pessoas mais ricas e a queda nos ganhos das classes sociais formadoras dos 30% mais pobres.

O Índice de Gini, que mede a concentração de renda, subiu de 0,538 para 0,545. Quanto mais perto de 1, maior a desigualdade de renda no país.

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