Conteúdo aborda a transformação social promovida pela arte negra no rap a partir dos anos 90

Texto / Juca Guimarães | Edição / Lucas Veloso | Imagem / Reprodução

O rap brasileiro sempre fez crônica social baseada nas ruas e nas denúncias constantes das desigualdades sociais e do racismo. Agora, ele também vai formar alunos na academia. Começa no dia 23 de novembro, o curso de extensão “Educação, Favelas e Quebradas: Racionais MCs. Escutas comentadas”, na Faculdade Federal Fluminense (UFF), durante dez meses, com a coordenação do Mário Ghettogroove e do professor Rodrigo Torquato.

O curso fala da revolução social que os Racionais MCs promoveram no país. Eu sempre tive o rap como uma base teórica na busca pela autonomia do sujeito. Eu tenho uma obrigação moral, por ter chegado na universidade, racializar as minhas pautas, eu discuto a filosofia e outros temas pelo viés negro”, disse Ghettogroove.

Em três décadas de carreira, o grupo Racionais MCs se consolidou como a principal voz da cultura periférica, porém, ainda faltava um espaço mais amplo nas universidades e na produção científica.

Serão aulas mensais até novembro do ano que vem divididas em eixos que abordam o contexto histórico de todos os álbuns, as letras das músicas, além das questões comportamentais; com o machismo e temas políticos como o genocídio da população negra. O curso será realizado no campus de Angra dos Reis, com transmissão ao vivo pela internet.

As inscrições podem ser feitas no site da UFF até o dia 23 de novembro. “Temos muita coisa para discutir cada aula terá oito horas de atividades. Serão quatro de preparação e leituras e mais quatro no dia”, comentou o educador.

A proposta é de ampliação do curso para um programa permanente de análise e das culturas e saberes construídos nas periferias de todo o Brasil, batizado como Favelas e Quebradas, sobre a obra de nomes como Bezerra da Silva, Dona Ivone Lara, Sérgio Vaz, entre outros.

Ghetogroove é autor do artigo “Apartheid Estrutural Brasileiro” sobre o silenciamento, desde a infância, que as populações periféricas, sobretudo os negros, enfrentam no país. “A obra dos Racionais te dá poder para transgredir e enfrentar o sistema”, afirma o educador.

Já Rodrigo Torquato é autor do livro " Escola-Favela e Favela-Escola: esse menino não tem jeito!", editora DP et Alii, 2012.

 

bannerhorizontal

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com

Mais Lidos