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Atlas da Violência 2020 mostra que das 4.519 mulheres assassinadas em 2018, 3.070 eram negras; uma mulher foi morta a cada duas horas no país

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Daniel Arroyo/Ponte

No Brasil, 4.519 mulheres foram assassinadas em 2018, o que corresponde a uma mulher morta a cada duas horas. As mulheres negras foram 3.070 das vítimas, ou seja, 68% do total, conforme aponta o Atlas da Violência 2020, divulgado nesta quinta-feira (27).

O levantamento elaborado por pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que 5,2 mulheres negras foram mortas de forma violenta em 2018, para um grupo de 100 mil pessoas. Entre as mulheres não negras, a taxa de homicídio é de 2,8 por 100 mil. Deste total, 3.070 eram mulheres negras.

Os estados com maior letalidade de mulheres negras estão nas regiões Norte e Nordeste: Roraima (15 mortes por 100 mil), Ceará (12,9 mortes por 100 mil), Acre (8,5 mortes por 100 mil), Pará (8,3 por 100 mil), Rio Grande do Norte (7,6 mortes por 100 mil) e Amazonas (7,2 por 100 mil).

Em dez anos, o assassinato de mulheres no Brasil cresceu 4,2%. Na comparação de 2017 com 2018, houve queda de 8,4%. Na análise racial, no entanto, é evidente a escalada da violência. Entre 2008 e 2018, a morte violenta de mulheres não negras teve queda de 11,7%, no mesmo período o assassinato de mulheres negras cresceu 12,4%.

Feminicídios

A nova edição do Atlas da Violência traz também o balanço dos casos de feminicídios no Brasil. Entre 2016 e 2018, foram 4.116 mortes de mulheres dentro de casa por forma violenta. Deste total, 1.642 foram assassinadas por arma de fogo.

Em 2018, foram assassinadas 1.373 mulheres dentro de casa e 552 delas foram vítimas de armas de fogo. No Brasil, o feminicídio, assassinato por discriminação ou menosprezo à condição de mulher, é crime tipificado desde 2015. De acordo com as indicações do local do crime, 30,4% das mortes violentas de mulheres em 2018 indicam o feminicídio, uma alta de 6,6% na comparação com 2017.

Nos últimos cinco anos, o número de assassinatos de mulheres fora de casa caiu 11,5%, enquanto as mortes dentro de casa cresceram 8,3%. Além disso, os assassinatos de mulheres por arma de fogo em casa, vítimas possivelmente de pessoas conhecidas, cresceu 25%.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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