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Às vésperas de completar 40 anos de existência e luta, figuras históricas do Movimento Negro Unificado falam sobre o papel do grupo no combate ao racismo no Brasil

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Sérgio Silva / Ponte Jornalismo

O MNU (Movimento Negro Unificado) completará em 7 de julho (sábado) 40 anos de existência. A pedra fundamental do grupo, que surgiu durante ato público realizado em 1978, em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, foi e continua a ser determinante para os rumos do combate ao racismo estrutural no Brasil.

Pode-se dizer, com toda a certeza, que o MNU teve papel fundamental na formação de lideranças que surgiram posteriormente na luta em prol da igualdade racial do país.

Milton Barbosa (Imagem: Sérgio Silva / Ponte Jornalismo)

De acordo com Milton Barbosa, cofundador do MNU, o grupo político deu norte à luta contra o racismo em âmbito nacional.

“O MNU foi um dos primeiros grupos a denunciar, de forma sistemática, o racismo e a violência policial, assim como falar da história do povo africano, do negro no Brasil e da questão as empregadas domésticas. Há pontos fundamentais que o MNU colocou e que motiva a luta cotidianamente”, explica a referência política, durante evento comemorativo à marca do MNU, realizado no auditório da Apeoesp, em 19 de junho.

José Adão de Oliveira (Imagem: Reprodução / Alma Preta)

José Adão de Oliveira, um dos fundadores do MNU, considera que o movimento colocou a questão racial em pauta e motivou o debate a respeito na sociedade civil.

“O MNU cumpriu e está cumprindo o papel de reflexão profunda sobre os destinos da humanidade. Há muita coisa a ser feita, mas os passos fundamentais foram dados. Os novos coletivos e militantes que chegam fazem a questão se aprofundar. A gente terá humanidade mais evoluída e humana no futuro”, pondera Oliveira.

Regina Lúcia dos Santos, militante do MNU há 22 anos, considera que o papel do grupo é apontar caminhos para a população negra lutar por direitos, assim como quais são os fundamentos sobre ser negro no Brasil.

“O papel do MNU é de fundamental importância, pois até hoje estaríamos debatendo sem perceber que a questão racial e o racismo estruturam a sociedade brasileira. Se o racismo estrutura a sociedade, precisamos desestruturá-la como está e, para isso, precisamos da luta antirracista colocada pelo MNU, como no enfrentamento à violência policial, à exploração da mulher negra e a descolonização das mentes negras”, considera Regina.

Ainda, Regina relata que o legado do Movimento Negro Unificado é a possibilidade de jovens negros enfrentarem o racismo estrutural.

“Isto era impensável há 40 anos – era impensável imaginar a juventude enfrentando o racismo estrutural do modo como está colocado. Hoje, ao irmos a qualquer periferia, podemos ver a juventude com cabelos naturais negros, por exemplo, e combatendo o genocídio. Isso tudo é o legado. E é muita coisa”, finaliza a militante do MNU.

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