Estudo "Narrativas Brancas, morte negras - Análise da Cobertura da Folha de S.Paulo sobre os massacres nos presídios em Manaus, Boa Vista e Natal" tem lançamento marcado para 23 de maio

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Wilson Dias / Agência Brasil

A pesquisa "Narrativas Brancas, morte negras - Análise da Cobertura da Folha de S.Paulo, sobre os massacres nos presídios em Manaus, Boa Vista e Natal", será lançada em evento marcado em 23 de maio. A divulgação dos dados acontecerá durante debate sobre o tema.

O mote da pesquisa tem como base a abordagem feita no tradicional veículo sobre as tragédias ocorridas em presídios de Manaus (AM), Boa Vista (RR) e Natal (RN), nas quais 119 homens foram assassinados durante rebeliões que aconteceram em tais unidades prisionais.

Alguns dos pontos principais dizem respeito aos aspectos focados na cobertura do veículo, cujos destaques foram dados para dados numéricos, deixando o aspecto humano em segundo plano. Para se ter uma ideia, o episódio registrado em Manaus (AM) contou com a citação da palavra “barbárie” feita 97 vezes, enquanto pouco se falou na solução de problemas - 20 vezes, sendo 13 sobre superlotação e 7 relativas à privatização.

De acordo com Pedro Borges, do portal Alma Preta e da INNPD (Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas), os números são importantes para evidenciar alguns aspectos.

“O primeiro que vale destacar é a falácia da neutralidade e da imparcialidade do jornalismo. A Folha de S.Paulo optou de maneira muito nítida de se utilizar muito mais do Estado como fonte e as próprias palavras, que estão mais nesse campo. Pouco espaço foi dado para movimentos sociais, pesquisadores e tudo mais”, explica o pesquisador.

Ainda, de acordo com Pedro, a mudança de foco sobre a raiz dos problemas é outro ponto emblemático dentro desse cenário, ao inverter a prioridade de problemas relacionados às tragédias. “Em vez de tratar a questão da privatização e da superlotação dos presídios como problema, a violência e a barbárie quase inata dos sujeitos parece ser o caso.

Outro ponto que chama a atenção foi a citação à palavra “negro”, usada uma vez na cobertura em Manaus e nenhuma sobre Roraima e Alcaçuz. Vale ressaltar que, de acordo com dados divulgados no Infopen (Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias) de 2017, 64% da população carcerária é negra.

“Não é feita a racialização desses sujeitos, apenas uma vez, durante toda a cobertura, a palavra ‘negra’ foi citada e isso fortalece o mito da igualdade racial no Brasil. O problema do racismo existe e isso está posto, mas é feita a opção por se silenciar diante dele, o que na verdade o fortalece”, pontua o jornalista, ao falar sobre a consequência do enviesamento de informações. “A partir de todos esses aspectos que foram coletados e observados, eles estão dentro do que se chama de padrão de manipulação da grande imprensa, teoria de Perseu Abramo, e seguem interesses políticos e econômicos desses grandes veículos de comunicação.”

O lançamento da pesquisa coincide com os 130 anos da abolição da escravidão no Brasil e o aniversário de uma década da Marcha da Maconha São Paulo.

Imagem: pesquisa "Narrativas Brancas, morte negras - Análise da Cobertura da Folha de S.Paulo, sobre os massacres nos presídios em Manaus, Boa Vista e Natal"

O evento

O debate do lançamento da pesquisa "Narrativas Brancas, morte negras - Análise da Cobertura da Folha de S.Paulo, sobre os massacres nos presídios em Manaus, Boa Vista e Natal" terá participações de Pedro Borges, do portal Alma Preta e da INNPD (Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas), Dennis Oliveira (CELACC, da USP), Rosane Borges, da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes), e Junião Jr., da Ponte Jornalismo. A mediação será feita por Nathália Oliveira, da INNPD (Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas).

Onde será?

O lançamento da pesquisa "Narrativas Brancas, morte negras - Análise da Cobertura da Folha de S.Paulo, sobre os massacres nos presídios em Manaus, Boa Vista e Natal" acontecerá em 23 de maio (quinta-feira), das 19h às 22h, na Casa do Baixo Augusta (Rua Rego Freitas, 553, vila Buarque, São Paulo).

A transmissão do evento será feita ao vivo na página do INNPD. Interessados poderão também acessar o evento criado no Facebook para o lançamento da pesquisa.

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