Jovem jurista que investiga guerra às drogas e encarceramento no Brasil conquistou a oportunidade de estudar na Universidade da Califórnia em Los Angeles, mas precisa de apoio para se manter

Texto / João Gabriel Batista
Imagem / Acervo pessoal Allyne

Por que no Brasil a grande vítima da "Guerra às Drogas" são os negros? Quem define que negros são traficantes e brancos são "usuários"? Por que se encarcera mais negros do que brancos? Tais perguntas, raramente exploradas pelas grandes empresas de comunicação, são o objeto de pesquisa da advogada Allyne Andrade.

Carioca, negra, nascida e criada nos bairros de Padre Miguel e Realengo, Allyne conquistou a oportunidade de cursar uma especialização na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). O programa lhe oferece o estudo gratuito na instituição. Porém, devido à ausência de bolsa que a mantenha nos Estados Unidos, Allyne recorreu a uma vaquinha online.

Por meio desse financiamento coletivo, ela terá a oportunidade de passar aproximadamente um ano em uma das melhores universidades americanas, que tem entre suas façanhas 14 Prêmios Nobel. O programa de estudos começa em agosto de 2018, e, até lá, Allyne almeja arrecadar 20 mil reais, que corresponde ao necessário para se manter no país durante os primeiros meses.

A profissional

Graduada em Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Allyne estudou políticas voltadas às comunidades quilombolas no mestrado e atualmente, no doutorado, concentra-se na Teoria Crítica Racial.

"Esse é um ramo do Direito desenvolvido por teóricos estadunidenses a partir do Movimento pelos Direitos Civis. Tal estudo busca a compreensão da relação entre raça e Direito para o enfrentamento da realidade", define ela.

A jurista acredita que aprofundar o estudo das relações raciais na Legislação pode contribuir com o desmascaramento da lógica racista por trás de decisões aparentemente neutras do Judiciário. Allyne ainda ressalta que tal linha de pesquisa não está consolidada no Brasil devido à falta de disciplinas sobre Direito e relações raciais nas faculdades.

Como contribuir para os resultados?

No link da vaquinha, onde é possível doar por meio de boleto, cartão de crédito ou bitcoin até dia 1 de agosto de 2018, a advogada reafirma seu compromisso com a sociedade: "Desde a graduação, dedico meus estudos e minha vida à inclusão social - em especial ao combate às discriminações - e ao fortalecimento da sociedade civil e da democracia".

Por fim, reitera que voltará para continuar o apoio à sociedade civil com os conhecimentos adquiridos por lá.

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