Candidato do campo conservador tem uma rejeição elevada por parte da população negra. Para coordenadora da pesquisa, a reprovação é natural devido às posições do deputado federal sobre os afrodescendentes

Texto / Pedro Borges
Imagem / Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Jair Bolsonaro, candidato a presidência da república pelo Partido Social Cristão (PSC), tem uma alta rejeição por parte da população negra. De acordo com a “Pesquisa Afrodescendentes e Política”, 75% do público negro “não votaria em hipótese alguma” no candidato.

Entre os entrevistados, 3% disseram que provavelmente não votariam em Jair Bolsonaro, 5,3% disseram que poderiam votar ou não, 3% afirmaram que votariam, 8,8% votaria com certeza, e 4% não soube responder.

Para Luanna Teófilo, coordenadora da pesquisa e do Painel BAP, a rejeição da população negra com relação ao candidato Jair Bolsonaro é natural.

“A partir do momento que ele começa a se posicionar com falas e ações que vão contra os interesses da comunidade negra, naturalmente nasce a rejeição”.

No dia 3 de Abril de 2017, o candidato à presidência participou de uma palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro. Durante a atividade, descreveu a visita que fez a uma comunidade quilombola.

“O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas (…) Não fazem nada, eu acho que nem pra procriador servem mais”.

No dia 3 de Setembro de 2017, a juíza Frana Elizabeth Mendes, da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, condenou o deputado federal (PSC) a pagar multa de R$ 50 mil por danos morais cometidos contra a população negra. A assessoria do deputado afirmou que recorreria da ação.

Em entrevista para o apóstolo Fadi Faraj, da Igreja Ministério da Fé, no dia 8 de Novembro de 2017, Jair Bolsonaro fez críticas às leis brasileiras instituídas para o combate ao racismo.

“Na minha época, a gente chamava os amigos de ‘negão’ na pelada (de futebol). Agora, posso ser processado. Deixa eu corrigir: é afrodescendente. Agora, alguém dizer que o problema do Brasil foi gerado por brancos dos olhos azuis, pode. Queria seguir a linha do Morgan Freeman, ator norte-americano. Segundo ele, a melhor maneira de combater o racismo é não falando sobre ele”, afirmou.

Luanna também diz que a pesquisa mostra como a população negra está atenta ao cenário político.

“Sem dúvida nenhuma, a pesquisa mostra que as pessoas que participaram estão atentas a isso também, que a gente tem sempre um olhar ao que pode ou não acontecer conosco”.

A pesquisa, realizada entre 17 e 27 de Novembro de 2017, foi feita na cidade de São Paulo. Foram ouvidos 1.607 eleitores nas diferentes regiões da cidade. 9% dos entrevistados moravam no centro, 16% na zona norte, 21% na leste, 24% na oeste e 30% na sul.

O nível de confiança do estudo é de 95%, com a margem de erro de 3%. A pesquisa foi quantitativa e entrevistou pretos e pardos, o que segundo o IBGE compõem o grupo racial negro, com mais de 16 anos de idade.

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