Ícone da luta contra a escravatura, Luiz Gama faria 188 anos em 21 de junho. Reconhecido como jornalista, ele ganha caminhada em São Paulo e mesa na Feira Literária de Paraty (FLIP)

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No próximo dia 23, sábado, a partir das 10h30, uma caminhada pretende percorrer as “pegadas” que essa figura deixou por São Paulo. O caminho começa no Mercado das Flores, no Largo do Arouche, no centro da capital paulista, onde há um busto em recordação a Luiz Gama.

O percurso será liderado pelos jornalistas Oswaldo Faustino, autor do livro “A luz de Luiz”, Cinthia Gomes, que pesquisa o patrono da abolição em mestrado na ECA/USP, e Guilherme Soares Dias, que é blogueiro e viajante. 

Para participar do evento, é preciso investir R$ 50 e inclui almoço do Rudie Food Cozinha Alternativa, que oferece comida afro-brasileira.

Luiz Gama

Luís Gonzaga Pinto da Gama, o Luiz Gama, foi uma das figuras mais combativas do século XIX em prol da abolição da escravatura. Atuava como advogado de pessoas escravizadas e na imprensa da época, escrevendo artigos sobre o tema. Fundou Diabo Coxo, o primeiro jornal ilustrado humorístico da cidade, ao lado do caricaturista ngelo Agostin.

O reconhecimento de sua importância como figura histórica foi tardio e vem aos poucos aumentando. No último 17 de maio, essa atuação ganhou destaque com o descerramento de uma placa na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, que reconhece seu legado na imprensa paulista. Em 2015, a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) já o havia reconhecido Gama como advogado. Além de ter frequentado a faculdade São Francisco clandestinamente, ele libertou centenas de escravos por meio de interpelações judiciais.

No último sábado (16), o Museu Afro Brasil, recebeu Oswaldo Faustino para o Encontro Marcado, Projeto Negras Palavras para falar justamente de Gama. Durante a Feira Literária de Paraty (Flip) 2018 a mesa “Poeta na torre de capim”, na sexta, 27 de julho, vai falar da falta de leitores e do silêncio da crítica em relação a alguns autores, como reclamava Hilda Hilst, a homenageada deste ano. Para o debate, estarão presentes a professora da Unifesp Ligia Fonseca Ferreira, especialista no poeta Luiz Gama, e Ricardo Domeneck, poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.

História

Em meados de 1860, Gama foi jornalista de grande audiência, cronista e comentarista jurídico, político e sobre temas da escravidão. Além de Diabo Coxo, escreveu para Cabrião, Radical Paulistano, O Ipiranga, Correio Paulistano, A Província de São Paulo (hoje O Estado de S. Paulo), Gazeta do Povo e jornais da corte – como Gazeta da Tarde, O Abolicionista e Tiradentes. Também foi fundador e proprietário do periódico O Polichinello.

Em seus textos, Gama dava visibilidade aos abolicionistas negros. “Acabo de ler, sem espanto, mas com pesar, o (...) escrito, publicado na (...) Província [de São Paulo] de hoje, contra o distinto cidadão José do Patrocínio. Em nós, até a cor é um defeito, um vício imperdoável de origem, o estigma de um crime; e vão ao ponto de esquecer que esta cor é a origem da riqueza de milhares de salteadores, que nos insultam; que esta cor convencional da escravidão, (...) à semelhança da terra, [a]través da escura superfície, encerra vulcões, onde arde o fogo sagrado da liberdade”, escreve Gama na Gazeta do Povo.

Em 1870 foi acusado de “caluniar” o juiz municipal Antônio Pinto do Rego Freitas, que hoje dá nome à rua do Sindicato dos Jornalistas e onde agora tem uma placa que reconhece o trabalho de Gama: “jornalista atuante na imprensa de seu tempo e grande influenciador das lutas pelo fim do regime escravocrata, reconhecido como o maior abolicionista do Brasil e patrono da abolição da escravidão do Brasil”.

Filho de mãe negra e pai branco foi vendido como escravo, pelo próprio pai, aos 10 anos de idade. Permaneceu analfabeto até os 17. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos – estima-se que tenha libertado do cativeiro mais de 500 escravos. Faleceu em 1882, seis anos antes da sanção da Lei Áurea, que agora completa 130 anos.

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