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Cerca de 400 manifestantes participaram de ato em memória a Evaldo dos Santos, assassinado com 80 tiros; três jovens foram presos durante o ato deste domingo (14)

Texto e Imagens / Pedro Borges

O assassinato de Evaldo dos Santos, com 80 tiros de fuzil no Rio de Janeiro, dia 7 de abril, motivou uma manifestação por parte do movimento negro em São Paulo realizada neste domingo (14).

A partir das 14h, os cerca de 400 manifestantes começaram a se reunir no vão livre do Masp para protestar. Presente no ato, Douglas Belchior, professor da Uneafro Brasil, disse que é importante que o movimento negro apresente uma resposta ao assassinato de Evaldo e criticou a atuação do governo federal em relação ao caso, principalmente a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"O Estado brasileiro é responsável pelas mortes. Eles ficaram dias sem se posicionar. Quando Bolsonaro falou, disse que o Exército não matou ninguém. Não matou 'ninguém' porque Bolsonaro não nos considera humanos. Nós, enquanto maioria do povo brasileiro, precisamos nos organizar", afirmou.

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Paula Nunes, integrante do Coletivo Afronte, o fato simboliza a continuidade da política de Estado do país de imposição do genocídio negro, o que exige participação política dos movimentos sociais. "80 tiros para a gente significa uma grande humilhação. Vindo do Exército significa uma política de Estado para nos exterminar. Para nós, estar aqui é chorar a morte, mas move a potência do movimento negro", disse.

A manifestação foi articulada por diferentes organizações do movimento negro. e se encerrou por volta das 18h em frente ao Escritório Geral da Presidência, na Avenida Paulista.

Prisão e apreensão

Três jovens, incluindo um menor de idade, foram revistados e presos por policiais durante o ato por carregarem maconha. Eles foram levados para a 78 DP. O adolescente foi encaminhado para a Fundação Casa, para a coleta de digitais. Os outros dois jovens foram enquadrados por consumo de maconha. Os três foram liberados na mesma noite. As advogadas Ana Paula Freitas e Fernanda Elias prestaram assistência durante o caso.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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