Ato por Marielle e Anderson reúne dezenas de milhares de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo. Homicídio dos dois é visto como um símbolo do avanço do racismo e do fascismo na sociedade brasileira

Texto / Pedro Borges
Imagem / Vinicius de Almeida

Milhares de pessoas se reuniram na Avenida Paulista para protestar contra a morte de Marielle e Anderson, assassinados a tiros no Rio de Janeiro no dia 14 de Março. A manifestação denunciou o genocídio negro e a vulnerabilidade social das mulheres negras.

Bandeiras e faixas com o rosto de Marielle Franco e pedidos pelo fim do extermínio de negros nas periferias e favelas do Brasil eram vistos por todos os lados. Muito presente também foi a sensação de dor e revolta por conta da brutalidade do ataque a uma liderança popular.

Adriana Moreira, integrante da Frente Alternativa Preta, destaca as ações políticas de Marielle Franco como algo a ser recordado.

“Ela efetivamente acreditava na ação política e tinha colocado a sua vida a disposição da luta e da construção de um espaço, mundo, país, territórios onde a vida possa ser o valor mais importante, o princípio, o meio e o fim”.

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Violência policial foi denunciada no ato em homenagem à Marielle e a Anderson (Foto: Vinicius de Almeida/Alma Preta)

O assassinato brutal da ativista, com 3 tiros na região da cabeça, e o momento político do país, de avanço do conservadorismo, transformaram a morte de Marielle em um catalisador, segundo o professor de direito do Mackenzie, Silvio Almeida.

“Uma energia e um descontentamento popular que não tinham um motor de indignação podem se formar a partir desse momento”.

Entre as palavras de ordem ditas no carro de som, foi anunciado para que “não se confunda as lágrimas, com a fraqueza” daquelas e daqueles que enfrentam o genocídio negro todos os dias nas periferias do país.

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Foram muitas as homenagens a Marielle e Anderson, na noite de ontem (Foto: Vinicius de Almeida/Alma Preta)

“A gente observa a morte da Marielle como um símbolo desse avanço conservador, do acentuar de valores racistas, fascistas, machistas, de modo que a morte dela não pode ser em vão, precisa ser um impulsionador dos movimentos sociais”, afirma Adriana Moreira.

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