Em todas as edições do mundial, o país é o que concentra maior número de imigrantes na disputa

Texto / Lucas Veloso I Imagem / Divulgação I Edição / Pedro Borges

Grace Geyoro nasceu em Kolwezi, República Democrática do Congo e imigrou para a França. A meia-campista da seleção francesa é um exemplo de imigrante presente na Copa do Mundo Feminina.

Como ela, outras 12 atletas estão na mesma condição: imigrantes na equipe. Do continente africano, são três no total. A atacante Valérie Gauvin nasceu em Sainte-Clotilde, Ilha de Reunion e Amel Majri: é tunisiana, imigrou para jogar futebol e se naturalizou francesa.

Em análise do continente europeu, a França é que mais tem imigrantes entre suas atletas, seguida por Inglaterra e Suécia, 4, além da Holanda, 3.

Jornalista e mestre em Estudos Culturais, Guilherme Freitas estudou a Copa do Mundo de futebol em seu mestrado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. No mestrado, pesquisou quais fatos levaram ao aumento da presença de atletas com origem imigrante nas seleções de futebol dos países da União Europeia entre os Mundiais de 1990 e 2014.

Para ele, alguns fenômenos ajudam a explicar a quantidade de imigrantes nos mundiais masculinos, e que podem ter relação no caso das mulheres.

“O crescimento do movimento migratório ao continente [europeu] ao longo das décadas, políticas e novas legislações migratórias, mais espaço para imigrantes/descendentes através de políticas esportivas e a globalização das grandes ligas do continente foram os principais motivos encontrados para explicar este aumento de seleções com perfil multiétnico entre os homens”, define.

O fato é que entre homens e mulheres, a quantidade desses atletas vem aumentando desde as primeiras edições das competições. A Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2003, a primeira com participação da França já contava com 6 atletas imigrantes. Em 2011, foram 9. E depois, em 2015, somou 13.

“A França é um caso à parte, pois sempre foi multiétnica esportivamente há muitas décadas. No futebol feminino não seria diferente”, comenta o pesquisador.

“Acredito que pelo fato do futebol feminino ainda ser uma modalidade em crescimento, só vamos ver equipes mais multiculturais, como as masculinas, daqui um tempo”, observa Freitas. “A modalidade precisa se expandir um pouco mais e tornar-se mais popular. Mas já estamos vendo mais garotas de origem imigrante praticando a modalidade”, completa.

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