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Organização criada no dia 7 de julho de 1978, em São Paulo, foi berço de grandes nomes da luta antirracista

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Nataly Simões | Imagem: Jesus Carlos via Memorial da Democracia

Em 7 de julho de 1978, cerca de 3 mil pessoas reuniram-se nas escadarias do Theatro Municipal, no centro da cidade de São Paulo, em um protesto pela igualdade racial. Nascia ali, o Movimento Negro Unificado (MNU), organização que foi berço de grandes nomes da luta antirracista no Brasil. Entre eles, Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Abdias do Nascimento, Hamilton Cardoso, entre outros.

Milton Barbosa, um dos fundadores da organização, conta que o ato reuniu pessoas de outros países também. “Teve uma articulação para ter uma unidade, por isso foi vitorioso. O movimento negro trabalha o fundamento da luta e articulação com a periferia”, afirma, em entrevista ao Alma Preta. Para ele, o movimento sempre foi um símbolo, mesmo quando passou por momentos de crise. “Quando explode, dá o norte”, considera.

Em 1978, o MNU convocou a população em geral para reagir à violência racial. Entre as violências daquela época em que o país ainda vivia uma ditadura, estavam a tortura e o assassinato do feirante Robson Silveira da Luz, acusado de roubar frutas em uma feira, no 44˚ Distrito Policial de Guaianazes, e a discriminação racial sofrida por quatro jovens negros, jogadores de vôlei do Clube de Regatas Tietê.

José Adão de Oliveira, membro-fundador da organização, recorda que naquele 7 de julho haviam quatro faixas que sintetizavam pedidos contra a violência policial, contra a discriminação racial, pela igualdade racial e pela democracia racial. “É um marco histórico porque abarcou várias necessidades da população negra”, pontua ressaltando que há simpatia pelos novos movimentos que surgiram nos últimos anos.

 A luta do movimento foi aos poucos ganhando força e se refletiu na atitude do Estado em relação aos debates sobre a discriminação racial, culminando com a criação, em 1984, do primeiro órgão público voltado para o apoio dos movimentos sociais afro-brasileiros: o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra no governo Franco Montoro, então governador de São Paulo.

Para Barbosa, a “principal coisa que o MNU ensinou para a juventude negra é que ela pode olhar direto para os olhos dos brancos”. Além do fortalecimento da consciência racial dos jovens, também podem ser listadas entre as conquistas pautadas pelo movimento a demarcação de terras quilombolas; a Lei 10.639, que prevê o ensino da história afro-brasileira e indígena nas escolas; e o crescimento na quantidade de pessoas negras nas universidades.

Em 2020, quando os movimento Vidas Negras Importam ganha as ruas, as reivindicações são parecidas com as de 1978. “As discussões que a gente fazia no movimento se esparramaram”, define Barbosa.

Confira a entrevista de José Adão Oliveira e Milton Barbosa concedida ao Alma Preta em 2016, no aniversário de 38 anos do Movimento Negro Unificado (MNU):

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