Em sessão na Alesp deputado disse que arrancaria 'homem que se sente mulher' a tapas do banheiro

Texto / Simone Freire
Imagem / Alesp / Divulgação

Diversas entidades e organizações do movimento negro e LGBT+ divulgaram uma carta em apoio à deputada estadual Erica Malunguinho (Psol) e em repúdio ao parlamentar Douglas Garcia (PSL).

A articulação do documento foi motivada após o episódio em que Malunguinho e Garcia se posicionaram no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sobre o projeto de lei do deputado Altair Morais (PRB-SP) que "estabelece o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no estado".

Malunguinho, primeira deputada trans a ocupar uma cadeira na Alesp criticou o projeto, demonstrando argumentos científicos e sociais. Em resposta a Malunguinho, Garcia elogiou o projeto criticado pela parlamentar e rebateu: “Se por acaso dentro do banheiro uma mulher, em que a minha irmã ou a minha mãe, estiver utilizando, e entrar um homem que se sente mulher, ou que pode ter alegando o que ele quiser e colocado o que quiser, porém eu não estou nem aí, eu vou tirar primeiro no tapa e depois chamar a polícia para ir levar”.

Confira a íntegra da carta aqui!

Segundo as entidades, Garcia incitou a naturalização de crimes de ódio contra a comunidade travesti e transexual. “A transfobia é uma problemática estrutural do país e, ao incitar a agressão contra mulheres transexuais, o deputado Douglas Garcia endossa os índices de violências - estruturais e físicas - contra travestis e pessoas trans no Brasil, líder no assassinato de travestis e pessoas trans”, pontua o documento.

Assinam o documento entidades como Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, Movimento Negro Unificado, Uneafro Brasil, Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos, Associação Nacional de Travestis e Transexuais e Instituto Brasileiro Trans de Educação.

Repercussão

A Mandata Quilombo, como é chamada a equipe política de Malunguinho, e o Psol exigiram a abertura de processo no Conselho de Ética da Alesp, com consequente deliberação pela cassação do mandato do deputado do PSL por quebra de decoro parlamentar.

O caso repercutiu bastante na mídia. Pouco tempo depois Garcia assumiu, na sexta-feira (5), que é homossexual. Para Malunguinho, ao assumir ser gay o deputado revela o que já é sabido: “o incômodo intempestivo que agride LGBTs faz parte de uma crise dos desejos do próprio atacante”.

Para ela, divulgar sua orientação sexual não ameniza sua fala de incitação ao ódio e à violência uma vez que ele mesmo assumiu que continuará “lutando contra o movimento LGBT”.

“No mais, seja feliz! Aproveite uma vida livre que te faça dormir com a cabeça tranquila sabendo que pode amar quem você quiser, e que mesmo que você insista em negar, saiba que isso só foi possível e continuará sendo, porque militantes LGBT, organizações de direitos humanos, marchas e passeatas pela diversidade, gentes de luta fertilizaram o solo para você brotar”, contesta a parlamentar.

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