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Brasil, Guiné-Bissau, Portugal e França são os países com obras presentes na agenda

 Texto / Lucas Veloso I Imagem / Divulgação I Edição / Pedro Borges

“Qual a diferença entre ser escravo do dinheiro ou do feitor?” ou “Pode um poema de amor ganhar de um sobre falta d’água ou violência?”

Essas perguntas estão no ‘Slam, voz de levante’, uma das obras que compõem a mostra “De Áfricas e diásporas. Cinema de memória, cinema de luta”, a partir desta terça-feira (25), no Sesc Belenzinho.

Além dos filmes, a programação, que se estende até setembro, inclui bate papo, palestras com realizadores e pesquisadores, além de curso sobre produção audiovisual e técnicas de pitching para audiovisual.

As obras foram produzidas na África e nos países das diásporas, sob a curadoria de Lúcia Ramos Monteiro, crítica, e pesquisadora, que também é idealizadora das mostras África(s), Cinema e Revolução (SP, 2016), e África(s), Cinema e memória em construção (RJ, 2018).

Entre curtas e longas-metragens, documentários e ficções, os títulos incluídos neste programa traçam um panorama que vai dos movimentos pela independência das antigas colônias portuguesas na África ao enfrentamento das heranças coloniais vivas hoje em dia.

As obras foram feitas por cineastas brancos e negros, brasileiros, da Guiné-Bissau, de Portugal e França. Os filmes exibidos propõem novos olhares sobre passagens esquecidas e mal contadas de histórias individuais e coletivas feitas de racismo, dominação, luta e memória.

A intenção de incluir cineastas brancos e europeus na programação tem o objetivo de refletir sobre a complexidade da colonização e como deve ser trabalhada por todos os envolvidos. Para justificar, a organização usa uma frase de Samia Mehrez, que diz: "a descolonização só estará completa quando for entendida como um processo complexo que envolve colonizador e colonizado".

Mais informações: De Áfricas e diásporas. Cinema de memória, cinema de luta

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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