Líder política fez parte do combate contra o regime opressor racial na África do Sul; “mãe da pátria” foi parceira de Nelson Mandela por mais de três décadas, inclusive enquanto ele esteve preso

 Texto / Amauri Eugênio Jr.
Foto / Felix Dlangamandla / Gallo Images


Winnie Madikizela-Mandela morreu nesta segunda-feira (2), aos 81 anos, em Joanesburgo. A militante sul-africana contra o apartheid, regime de segregação racial que esteve vigente por mais de 40 anos na África do Sul, tornou-se símbolo da luta em favor da libertação do povo negro ao redor do mundo.

Em comunicado divulgado à imprensa, o porta-voz Victor Dlamini relatou que a ativista política, ex-esposa de Nelson Mandela, morreu em um hospital situado em Joanesburgo, após ter sucumbido a uma “longa doença” que a manteve internada desde o início deste ano. Ainda de acordo com o comunicado, Winnie estava cercada por sua família e entes queridos.

Trajetória

Nascida em 1936, na província do Cabo Oriental, Winnie Madikizela-Mandela mudou-se a Joanesburgo ainda jovem para tornar-se assistente social e lá conheceu o então advogado Nelson Mandela, com quem se casou em 1958. Após a prisão de Mandela, em 1963, quando ele foi condenado à prisão perpétua por traição, ela foi submetida a encarceramento, prisão domiciliar e confinamento em virtude da luta contra o apartheid.

Madikizela-Mandela conseguiu ser eleita deputada nas primeiras eleições democráticas, de 1994 – Mandela foi eleito presidente no mesmo pleito. Além disso, ela foi nomeada ministra-adjunta das Artes, Cultura Ciência e Tecnologia, mas foi demitida em 1995 após ter criticado a administração de seu então marido e em virtude de viagem à África Ocidental, contrariando ordens do à época chefe de Estado.

Em 2016, Winnie Madikizela-Mandela recebera a Ordem Luthuli em virtude de sua luta contra o apartheid e pela excelência na contribuição na luta em favor da libertação do povo sul-africano.

Apesar do inegável legado pela luta contra o racismo de Estado instaurado na África do Sul, ela tem passagens controversas. Em 1991, a ativista foi condenada pela morte do jovem Stompie Seipei, morto por um integrante da sua equipe de guarda-costas – o crime ocorrera em 1989. Ainda, ela ainda havia sido condenada em 2013 por fraude.

Outro fato relacionado a Winnie Madikizela-Mandela diz respeito ao seu divórcio com Nelson Mandela, em 1996. No início deste ano, ela perdeu batalha judicial na qual ela pretendia assumir uma casa em nome da família Mandela situada ao leste da África do Sul – ela alegava ter comprado em 1989, quando Mandela ainda estava preso e os dois, casados.

Repercussão

De acordo com a agência de notícias AFP, o ex-arcebispo anglicano Desmond Tutu declarou que Madikizela-Mandela foi um símbolo definitivo na luta contra o apartheid e que sua oposição ao regime havia sido inspiradora para ele e gerações de ativistas.

Cyril Ramaphosa, presidente sul-africano, fez também comunicado em pesar à morte da ativista. “Ela foi uma das pessoas que nos dizia exatamente o que estava certo e errado. Sentiremos falta de sua referência”, afirmou, em memória àquela a quem se referiu como “Mama Winnie”.

Homenagem musical

Winnie Madikizela-Mandela foi homenageada por Milton Nascimento na música “Lágrima do Sul (Para Winnie Mandela)”, lançada no álbum “Chegadas e Despedidas”, de 1985. A canção foi composta parceria com Marco Antônio Guimarães, do grupo Uakti.

Ao parafrasear a letra desta música, que o legado de Winnie Mandela seja lembrado como “Hora de humanidade, de acordar / Continente e mais / A canção segue a pedir por ti”.

 

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