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Levantamento mostra que sistema de cotas raciais influenciou nos números; o curso de Medicina continua majoritariamente branco, com dois alunos negros a cada dez matriculados

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Sales Navigator/Pexels

Entre 2010 e 2019 o número de pessoas negras matriculadas no ensino superior aumentou em quase 400%. Esse é um dos resultados apresentado no levantamento feito pelo Quero Bolsa, utilizando dados do Censo da Educação Superior de 2019. Apesar do aumento nas matriculas, a população negra representa 38,15% dos matriculados em cursos superiores.

O estudo mostra que em 2010 eram 682.344 negros matriculados no ensino superior. Em 2019, esse número subiu para 3.282.119. A porcentagem dos matriculados também cresceu na sequência, saindo de apenas 10,70%, em 2010, para 38,15%, em 2019.

A implementação da lei de cotas, em 2012, impactou na alta nos índices. De 2013 para 2014 houve o primeiro grande salto, passando de 15,48% para 22,15% das matrículas.

Medicina é branca

O levantamento aponta que dois em cada 10 alunos de Medicina são negro. Dentre os cursos com mais de 10 mil matriculados, este é o com menor percentual de pessoas negras. Em 2019, negros eram 47.819 entre os 187.710 alunos matriculados, o que corresponde a 22,57%.

O número, no entanto, representa um aumento nas matrículas. Em 2010, haviam apenas 8.654 estudantes negros em cursos de Medicina, o que representava 8,38% do total. Em uma década, houve um aumento de 452,57%.

“O curso de medicina demanda um alto investimento para estudar nas universidades privadas. As mensalidades superam facilmente R$ 8 mil. Mesmo bolsistas têm dificuldade para se manter exclusivamente estudando durante 6 anos ou mais, tempo de formação de um médico. Nas universidades públicas, apesar de não haver a mensalidade, o custo para se manter é o mesmo e a concorrência ainda mais elevada para conquistar a vaga”, explica Lucas Gomes, diretor de ensino superior da plataforma Quero Bolsa.

Outros cursos com a menor presença de pessoas negras são: Design Gráfico (27,30%), Publicidade e Propaganda (27,73%), Relações Internacionais (27,75%) e Engenharia Química (28,04%).

Por outro lado, Serviço Social desponta como o curso presencial em que mais há alunos negros, alcançando 52,21% do total. Em seguida, vem Engenharia Florestal (52,05%), Formação de Professor em Química (51,85%), Formação de Professor em Matemática (50,96%) e Formação de Professor em Letras/Português (50,64%).

Já entre os cursos na modalidade à distância, os que há menos alunos negros são Gestão da Produção (24,93%), Gestão de Negócios (26,55%), Formação de Professor em Artes Visuais (28,07%), Gestão Comercial (29,73%) e Marketing (30,42%).

Dentre os com maiores índices e negros está Enfermagem (82,21%), Educação Física (52,43%), Serviço Social (52,32%), Formação de Professor em Educação Física (46,14%) e Administração pública (45,11%).

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