O ato contou com 6 mil pessoas, a maior manifestação desde 2016, ano no qual entrou para a agenda política da cidade

Texto / Pedro Borges
Imagem / Anna Laura Moura

Cerca de 6 mil pessoas protestaram contra o racismo, o machismo e pelo bem viver na terceira edição da Marcha das Mulheres Negra. O ato aconteceu em 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, Dia Nacional da Mulher Negra e Dia Nacional de Tereza de Benguela, no centro da cidade de São Paulo, e teve como objetivo colocar as pautas das mulheres negras no debate político.

Juliana Gonçalves, uma das articuladoras do ato, acredita que a Marcha das Mulheres Negras deu o recado planejado: colocar em debate as opressões de raça e gênero.

“Na nossa visão, a gente quer que as pessoas entendam que tomar as ruas, usando não só a marcha, mas trazendo as pautas da negritude e das mulheres negras é uma estratégia de luta e de emancipação política para as mulheres negras.”

A concentração, que se iniciou às 17h na Praça Roosevelt, foi marcada por palavras de ordem de mulheres negras de diferentes organizações políticas, que pediam pelo fim das opressões de raça, gênero, classe e sexualidade no Brasil.

A partir das 19h30, o ato seguiu, com manifestação religiosa de matriz africana e com a apresentação do grupo Ilú Oba de Min, que entoou músicas de resistência e promoveu performances em referência à ancestralidade negra.

Em frente à biblioteca Mário de Andrade, palavras de ordem foram proferidas por mais mulheres negras e indígenas, que condenaram os retrocessos do momento político vivido pelo Brasil, sentidos de maneira mais sensível por aquelas que estão na base da sociedade.

A manifestação se encerrou ao lado do Largo do Paissandú, local de encerramento do protesto este ano. O destino foi alterado por conta das famílias do prédio que desmoronou na região, em 1º de maio, e ainda estão acampadas por lá, à espera de moradia digna e de qualidade - essa demanda foi feita para os governantes, que prometeram atendê-las.

Luka Franca, integrante do MNU (Movimento Negro Unificado), fez avaliação positiva da manifestação de 2018.

“Eu acho que a gente vem em [processo de] construção em São Paulo que nos surpreende a cada ano. A primeira marcha nos surpreendeu pela quantidade de 3 mil mulheres, e no ano passado não nos surpreendemos por ter aumentado - e este ano ano aumentou ainda mais. Isso só mostra a nossa potência”, finaliza a ativista.

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