fbpx

Documento exige garantias de direitos humanos ao povo palestino; população vive sob ameaça militar, sem emprego e sem acesso à água

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: BDS

Organizações da África, da Ásia e da América Latina lançaram um manifesto mundial contra o apartheid contra a população da Palestina praticado pelo governo de Israel há décadas e que agora se agrava com a intenção de anexação da Cisjordânia.

O movimento pede que sejam feitas sanções internacionais contra Israel até o fim do apartheid palestino. A ideia é repetir a luta mundial que teve êxito contra a discriminação racial na África do Sul. 

“Há décadas Israel impõe um regime de ocupação, apartheid e colonização contra o povo palestino graças à cumplicidade internacional - a anexação da Cisjordânia é mais um capítulo desta história.  O embargo militar é urgente, pois precisamos parar a indústria que permite que tudo isso seja possível”, diz Pedro Charbel, ex-coordenador latino-americano do Comitê Nacional Palestino do Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

No Brasil, a luta do povo palestino por paz tem um apelo forte, pois se assemelha em parte com a escalada de violência e retirada de direitos vivenciadas pelos moradores das periferias, em sua maioria negra, conforme lembra Gizele Martins, do movimento de Favelas do Rio de Janeiro e organizadora da atividade internacional Julho Negro, contra o racismo, o militarismo e o apartheid, que esteve na Palestina em 2017.

“Na Palestina, eu vi muitos comparativos com o cotidiano do conjunto de favelas da Maré, onde existe o que chamo de laboratório da morte desde a militarização dos territórios nos megaeventos de 2014 e 2015”, conta.

Naqueles anos, o exército ocupou a Maré com um contingente enorme de soldados por cerca de um ano e meio. “Era um soldado para cada 55 moradores. Muitas das práticas colocadas aqui e em outras favelas são baseadas na militarização de Israel e também em práticas genocidas”, relembra Gizele. 

A militante visitou o Vale do Jordão e constatou que a falta de água para a população palestina tem razão política. “É uma realidade que percorre toda a Palestina. A água é privatizada. Do lado israelense é tudo verde, enquanto nos espaço palestino as famílias não têm acesso a água”, pontua.

Por conta dos muros, pontos de revista e perseguição, os palestinos não conseguem emprego e nem manter os próprios comércios. “A estrada do apartheid, feita pelos israelenses, tem as revistas que geralmente demoram horas. Quem precisa ir trabalhar não consegue chegar a tempo e perde o emprego”, explica.

O documento em favor do povo palestino, lançado no dia 2 de julho, é apoiado por  mais de 60 deputados e deputadas federais do PSOL, PT, PCdoB, PSB e PDT e 320 figuras públicas, entre ex-presidentes, acadêmicos e parlamentares de toda a América Latina. Os signatários incluem o ganhador do Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel; os cantores Chico Buarque e Caetano Veloso; os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Pepe Mujica (Uruguai), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Ernesto Samper (Colômbia); o ex-chanceler Celso Amorim; e Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Direitos Humanos e atual presidente da Comissão Arns.  

No sábado, (4), os sul-africanos vão realizar um ato virtual com a participação do fundador do movimento Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS), Omar Barghouti; o neto de Nelson Mandela, Mandla Mandela; o neto de Mahatma Gandhi, Rajmohan Gandhi; a ativista sul-africana Phakamile Hlubi Majola; o ex-chanceler Celso Amorim; e  a deputada chilena Karol Cariola. 

“O Brasil hoje não só é cúmplice das violações de Israel, como também importa as tecnologias desenvolvidas sobre o povo palestino para oprimir nossa própria população, sobretudo as pessoas negras e pobres do Brasil. Temos que ouvir o chamado do povo palestino por solidariedade efetiva e lutar juntos e juntas por liberdade, igualdade e justiça do Brasil à Palestina”, complementa Charbel, integrante do BDS.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com