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Assinado pelo movimento negro de Campina Grande, documento defende a implementação de cotas para a inclusão de negros, ciganos e indígenas; mais de 60% da população paraibana se declara como negra

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Divulgação

Depois de esperar por mais de um ano por uma reunião, o movimento negro de Campina Grande assinou e lançou um manifesto solicitando a implementação do sistema de cotas raciais na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O movimento argumenta que a universidade não reflete a diversidade da população paraibana, que é de 63,3% de pessoas negras (pretas ou pardas), de acordo com a estimativa do Instituto Brasileiro de Geogradia e Estatística (IBGE).

“Aliás, pelo contrário, os brancos de classe média e classe média alta são hegemônicos nos cursos de graduação e pós-graduação”, afirma o professor Jair Silva Ferreira. Ele explica que foi protocolado na Secretaria do Conselho Universitário (Consuni) um pedido de reunião para tratar do assunto, mas que há mais de um ano não há respostas. “Eu acho vergonhoso que uma universidade pública, em pleno século 21, não tenha cotas para negros, indígenas e ciganos”, destaca o professor.

O vestibular da UEPB reserva 50% das vagas oferecidas para o ingresso de candidatos oriundos da rede pública de ensino, que precisam ter cursado todo o Ensino Médio em instituições públicas para concorrer nessa reserva. “Ao estabelecer cotas só para alunos escolas públicas, ela [a universidade] deixou de perceber as desigualdades raciais que também permeiam as relações na educação. Portanto, apenas ampliou a participação de alunos brancos pobres dentro da universidade. Logo, a gente precisa de um espaço mais inclusivo e antirracista e só será possível com a presença de grupos étnicos que fazem parte do conjunto populacional da Paraíba”, pontua Jair.

O manifesto solicita ainda que os professores, estudantes e servidores técnicos debatam sobre a questão racial de forma urgente. “Sempre é bom lembrar que grandes universidades como a USP têm cotas raciais, assim como a UNICAMP, UFRJ, UERJ, UNB, UFBA, UFRB, UNEB e tantas outras universidades estaduais e federais. Por que a nossa Universidade Estadual da Paraíba não tem?”, frisa o movimento responsável pelo documento.

O Alma Preta procurou a assessoria de comunicação da Universidade Estadual da Paraíba e questionou o posicionamento da instituição de ensino referente às políticas de cotas e ao manifesto. Até a publicação deste texto, os questionamentos da reportagem não foram respondidos. A petição online por cotas raciais na UEPB já foi assinada por aproximadamente 500 pessoas.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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