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Advogados marcham na frente de multidão que se reuniu no centro da capital fluminense em protesto que terminou pacífico

Texto / Yago Rodrigues e Guilherme Soares Dias | Edição / Yago Rodrigues | Imagem / Yago Rodrigues

Cerca de 5 mil pessoas manifestaram-se no centro do Rio de Janeiro neste domingo (7) em atos convocados pelos movimentos negros. A onda de protestos que tomou conta do mundo depois da morte do motorista e segurança George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos, ganhou pautas da violência local, com os manifestantes lembrando a morte de João Victor, 18 anos, morto em 21 de maio na Cidade de Deus, e a invasão do Complexão do Alemão na véspera.

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A manifestação saiu da Praça XV e seguiu pela Avenida Presidente Vargas em direção à Igreja Nossa Senhora da Candelária, no centro. Advogados pretos conduziram a manifestação para garantir a segurança de quem foi as ruas. Ao contrário da semana passada, em que a polícia usou bombas para dispersar as pessoas, os protestos começaram e terminaram sem incidentes. Uma quantidade grande de policiais acompanhou os protestos. Eles estavam ao lado, atrás e na frente das pessoas que empunhavam faixas e pediam o fim do racismo. Além dos movimentos negros, as torcidas organizadas dos times cariocas puxaram os atos. Números de contatos foram disponibilizados para quem precisasse de auxílio jurídico.

A maior parte dos manifestantes eram pessoas negras que pediam o fim do racismo. Mas havia também manifestantes brancos e pautas como a democracia e o antifascismo. Em tempos de pandemia, o distanciamento social não foi respeitado, mas a maior parte das pessoas usavam máscaras, que foram também distribuídas.

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“As mães negras não aguentam mais chorar”, dizia uma das faixas seguradas pelos manifestantes. “Não temos direito a quarentena. Estamos pedindo o básico que é o direito à vida. É importante que nossa voz seja ouvida”, afirmou uma jovem que se identificou apenas como Gabis. Os manifestantes pediram ainda o fim da polícia militar. “Esse é o caminho da revolução”, afirmou um homem, de 42 anos, que não se identificou.

Cruzes com a frase “eu não consigo respirar”, dita pelo americano George Floyd antes de morrer, eram empunhadas pelos manifestantes. Em um dos trechos, eles lembravam “eu vou lutar pelo direito de viver”. Renata Trajano, do Coletivo Papo Reto, do Complexo do Alemão, afirma que as pessoas negras precisam estar na rua. “Não faz diferença vir para rua nesse momento. Podemos morrer de vírus ou de tiro. É importante falarmos sobre nossos direitos”, ressaltou. José Luis, coletivo das torcidas do Vasco, afirma que foi as ruas para dizer que o futebol é antifascista. “É um grito de liberdade para dizer que vidas negras importam”, ressalta.

*Colaborou Juca Guimarães

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