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Os poetas Akins Kintê e Jenyffer Nascimento foram os convidados do segundo episódio do podcast Papo Preto

Texto: Nataly Simões / Edição: Pedro Borges | Imagem: Ednísio Ribeiro / Edição: Vinicius de Araujo 

A relevância da literatura erótica para o fortalecimento da identidade negra é o tema do segundo episódio do Papo Preto, podcast do Alma Preta. Os convidados foram os poetas Akins Kintê e Jenyffer Nascimento.

Akins Kintê é conhecido por sua literatura erótica voltada para o público negro. Entre suas obras publicadas, está “Nuances de Líbido” e “Pretumel de Chama e Gozo”.

Durante o bate-papo, o poeta falou sobre como a história da literatura erótica está atrelada a experiências de pessoas brancas. “Muitos dos textos que eu li falavam de pessoas que cansaram do Brasil e que foram namorar na Europa. Essas coisas são legais, mas estão muito distantes da realidade da negritude”, conta.

A outra convidada, Jenyffer Nascimento, é autora de “Terra Fértil” e em suas obras aborda a sexualidade da mulher negra. Ela conta como a literatura erótica é importante para a população feminina expressar sua intimidade.

“Eu tenho observado um movimento de mulheres falando sobre o próprio prazer. Hoje nós conseguimos falar sobre sexualidade e a nossa maneira de pensar o erótico sem, necessariamente, a presença do homem”, comenta.

Para ela, a literatura erótica também é uma forma de desconstruir estereótipos sobre pessoas negras. “A gente desconstrói estereótipos racistas como o de que negros são mais violentos e fortes. Precisamos ter cuidado com isso porque temos o papel de representar nossas existências”, afirma.

A obra escolhida para ilustrar o segundo episódio do Papo Preto é “Namoro de Negras” de Ednísio Ribeiro, artista plástico e designer do underground do tropicalismo.

Você pode conferir o bate-papo completo sobre literatura erótica no Spotify. O programa é apresentado pelo jornalista e editor-chefe do Alma Preta, Pedro Borges. Os episódios vão ao ar quinzenalmente com assuntos como enfrentamento ao racismo e ao genocídio, autoestima e o dia a dia da população negra e periférica.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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