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José Izídio Dias, mais conhecido como “Seu Vermelho”, era uma das pessoas que habitavam o território ancestral a mais tempo; moradores convivem historicamente com a criminalização e a perseguição

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Gabriel Gonçalves/IML Salvador 

O líder quilombola José Izídio Dias, de 89 anos, foi assassinado brutalmente com golpes de machado dentro de sua casa na comunidade remanescente de quilombo Rio dos Macacos, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador. O crime aconteceu na noite da segunda-feira (25).

Conhecido como “Seu Vermelho”, o idoso era uma das pessoas que habitavam a mais tempo o território quilombola. De acordo com a Polícia Civil, o assassinato pode ter sido resultado de um latrocínio, roubo seguido de morte, ou vingança motivada por uma disputada por terra.

A comunidade quilombola Rio dos Macacos convive historicamente com a criminalização e a perseguição do seu modo tradicional de vida. Uma delas é o conflito fundiário envolvendo a Marinha do Brasil há mais de 50 anos, quando a Vila Naval de Aratu foi construída sob o território ancestral.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) investiga o assassinato de José Izídio Dias e entidades do movimento negro também acompanham o caso com representantes políticos e advogados.

Em comunicado, a Associação do Quilombo de Rio dos Macacos exige que o assassinato do líder quilombola receba a devida atenção do governo. A associação também pede a conclusão do processo de titulação da área de 104,7 hectares.

“Exigimos que o assassinato de ‘Seu Vermelho’ receba todas as respostas institucionais cabíveis, no que se refere ao processo de investigação e de suporte a todos os familiares. Além disso, que o Estado cumpra a sua obrigação, no sentido de finalizar o processo de titulação do nosso território e de garantir as condições mínimas de reparação histórica para que possamos viver com autonomia em nossa terra ancestral”, diz a nota.

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