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Ação foi protocolada por deputados federais depois da publicação de artigos no site do órgão no dia 13 de maio, data da abolição da escravatura

Texto / Pedro Borges I Imagem / Reprodução do Facebook

A juíza Maria Cândida de Almeida, 9ª Vara Federal Cível da SJDF​, determinou no dia 29 de maio, sexta-feira, a retirada de textos publicados no site da Fundação Cultural Palmares que atacam o legado de Zumbi.

Os textos “Zumbi e a Consciência Negra – Existem de Verdade?”, de Luiz Gustavo dos Santos Chrispino, e “A Narrativa Mística de Zumbi dos Palmares”, de Mayalu Felix foram publicados no dia 13 de maio, quando se recorda o fim da abolição da escravatura no Brasil, em 1888. Os textos devem sair do ar de maneira imediata, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.

A juíza atendeu ao pedido de retirada dos textos protocolado pelas deputadas federais Áurea Carolina (PSOL-MG), Benedita da Silva (PT-RJ), e os deputados Bira do Pindaré (PSB-MA) e Túlio Gadêlha (PDT-PE).

“Concluo, com base nessas considerações, que a permanência dos artigos questionados no sítio institucional da Fundação Cultural Palmares ameaça o patrimônio histórico-cultural brasileiro e viola o direito à identidade, ação e memória da comunidade negra e a sua garantia a condições adequadas para a preservação, expressão e desenvolvimento de sua identidade”, diz a decisão.

Até a manhã do dia 30 de maio, os textos continuam no site da Fundação Cultural Palmares. 

O Alma Preta tem feito uma investigação sobre a Fundação Cultural Palmares. De acordo com informações apuradas, Sérgio Camargo tem demitido funcionários durante a pandemia da Covid-19, nomeado militares para cargos do órgão, e trabalhadores da instituições descrevem as reuniões da diretoria da fundação como encontros da KKK, organização de supremacia branca dos EUA. 

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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