Entre 10 e 22 de setembro, a Feira Literária da Zona Sul (FELIZS) ocupa equipamentos de cultura eeducação,localizados nos distritos de Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim São Luis e Jardim Ângela, ambos na zona sul da cidade

Texto/Divulgação

Imagem/Diogo Maia

Com apresentações de dança, música e poesia, o Sarau do Binho abre a quarta edição da Feira Literatura da Zona Sul (FELIZS) na noite de segunda-feira (10), às 20h, no espaço do Teatro Clariô, localizado na divisa de Taboão da Serra com São Paulo, na zona sul da cidade. O tradicional encontro poético celebra a importância do movimento literário nas periferias paulistanas, para fomentar o surgimento de novos autores, selos editoriais e o crescente número de consumidores de arte.

Questões de raça, classe e gênero não ficam de fora da programação. Neste contexto, a professora Diva Guimarães, personagem que ganhou projeção nacional durante a FLIP, em 2017 surge ao lado da poeta e doutora em estudos da tradução, Tatiana Nascimento para um bate papo sobre diáspora e emancipação de mulheres negras.   

A FELIZS é uma iniciativa de produtores culturais e artistas que fazem parte do Sarau do Binho, um dos movimentos artísticos precursores da cultura dos saraus na zona sul da cidade. “Nós queremos mostrar para a cidade o quanto se produz de arte e cultura nos distritos do Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luis, territórios que são potências em produção literária em São Paulo”, afirma Diane Padial, enfatizando o nome dos territórios que serão contemplados com atividades da feira literária.

Para mostrar a ligação da feira literária com espaços de cultura e educação nas periferias, naterça-feira (11), um grupo de articuladores culturais promove uma Caminhada Literária pelas ruas do Campo Limpo. “Essa vivência irá mostrar às pessoas lugares marcantes no território, onde a literatura e a arte fazem parte do cotidiano dos moradores”, diz Suzi Soares, produtora cultural e integrante do Sarau do Binho.

Ela reforça que boa parte do público da feira literária são jovens estudantes e professores. “Cerca de 50% dos espaços por onde as atividades da FELIZS irão passar, são escolas municipais ou bibliotecas públicas, e isso revela uma característica da feira, em engajar e aproximar jovens do universo do livro e da leitura.”

Segundo Padial, essa edição da FELIZS tem uma programação pensada para reunir autores de diversas cidades brasileiras. “O Sarau “Poesia de Todo Canto”, iniciativa que conta com participações de artistas que residem nas cidades de: Itabuna na Bahia, Itacoã em Roraima, Natal no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Alto Solimões, um município do Amazonas, representa bem essa proposta da FELIZS”, explica a produtora, ressaltando que o tema da feira traz a provocação “De Onde Você Vem?”, como forma de conectar diferentes autores e vivências com o fazer literário.

Outro destaque na programação da feira literária são as exibições e debates sobre filmes no estilo de curta-metragem e documentários, produzidos por cineastas das periferias. “Precisamos abrir cada vez mais espaço para discussões que perpassam a literatura e o cinema, pois as bordas da cidade revelam cada vez mais profissionais com talento e sensibilidade, paracontar histórias de grupos e pessoas que se dedicam a mudar a sua vidae a de outras pessoas, por meio da arte. E a Felizs está valorizando isso”, destaca Suzi, abordando a importância do audiovisual e a sua conexão com a literatura.

Ao longo da programação da FELIZS, o público poderáparticipar ativamente de encontros com grandes autores que atuam dentro e fora das periferias. O escritor e professor Milton Hatoum está entre eles, bem como a escritora feminista Jenyffer Nascimento, autora da obra Terra Fértil. “Ao longo da FELIZS haverá muitas conversas com autores, justamente para aproximar o público do processo de criação das obras e da identidade artística de cada autor“, reforça Suzi.

O encerramento da FELIZS acontece no sábado (22) na Praça do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, local aonde moradores, artistas, autores e editoras independentes ocupam o espaço público para interagir com a programação da feira literária, que este ano traz uma série de shows especiais, entre eles o cantor Chico César, o compositor Marcelo Jeneci e o grupo de batuqueiros e compositores Samba da Vela.  

 

Moeda Literária e o fomento a publicações independentes

 

Além de conectar moradores das periferias de São Paulo com autores de diversas regiões do país, a FELIZS coloca em prática a utilização da “moeda literária”, iniciativa que visa fomentar o consumo de livros publicados por autores e selos independentes. “Vamos ativar a circulação desta moeda, com o objetivo de movimentar o comércio de livros na Praça do Campo Limpo, local onde será realizada uma grande feira com tendas para autores e editores no dia 22 de setembro, data de encerramento da feira”, conta Padial.

Ela lembra que nesta edição da FELIZS o selo editorial Sarau do Binho irá apoiar o lançamento de obras de alguns autores da periferia. “Em 2017, o selo editorial estreou na Felizs com a publicação de quatros livros. Para este ano, vamos manter esse número, lançando mais quatro, para fortalecer a entrada desses autores no mercado do livro.”

Os livros ”Desassossego” de Ermi Panzo, “Do verbo que o amor não presta” de Helena Silvestre, “Vértices Poéticas” de Zá Lacerda e a “A festa da palavra na arte do encontro - Das Noites da vela ao Coletivo Sarau do Binho” de Diego Elias, estão entre os títulos selecionados para serem lançados durante a feira livros na Praça do Campo Limpo, no encerramento da feira literária. “Vamos unir o lançamento da moeda com a publicação de obras independentes. Desta forma, a Feira Literária da zona sul contribui diretamente com o fortalecimento da produção literária na periferia, incentivando o contato de moradores das periferias com obras de autores independentes”, finaliza.

Confira aqui a programação completa da Feira Literária da Zona Sul.

 

Sobre a Feira Literária da Zona Sul (FELIZS) - www.felizs.com.br  

 

Criada em 2015 pelo Sarau do Binho, um dos principais coletivos literários da periferia de São Paulo, a FELIZS nasce de um desejo de reflexão sobre o movimento cultural que temos vivido ao longo dos últimos anos. Temos hoje um panorama pulsante de múltiplas linguagens que vem sendo, em parte, impulsionado pelos saraus nas periferias. Há uma multiplicação de iniciativas e estas reverberam cada dia mais nos mais variados espaços comunitários e culturais.

O evento também é uma iniciativa para unir potenciais num único espaço e observar a grandiosidade de propostas que a periferia vem desenvolvendo. Queremos nos ver e fortalecer num processo de sinergia, potencializando as ações individuais conectadas ao processo coletivo. Dentro dessa lógica, o fazer cotidiano é essencial, mas é saudável um respiro para reflexão: pensar sobre os caminhos, identificar nossa grandeza e nossas dificuldades.


Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
contato(@)almapreta.com

Mais Lidos