fbpx

Nesta terça-feira (30), Glenn Greenwald concedeu uma entrevista coletiva na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.  O jornalista denunciou as ameaças que está sofrendo, ressaltou seu desejo de garantir a liberdade de imprensa e de fortalecer a democracia brasileira.

Texto /
Isabella Holl - Edição / Solon Neto

Imagem / Mídia Ninja

A entrevista foi concedida antes da realização do evento “Sociedade se mobiliza por Greenwald”, que teve a presença pessoas como Wagner Moura, Chico Buarque, Camila Pitanga, Marcelo D2, a deputada estadual pelo RJ, Renata Souza (PSOL), e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O Alma Preta também participou do evento em apoio à liberdade de imprensa.

Na coletiva Glenn disse à imprensa que não pode oferecer dados sobre o hacker que colaborou com o Intercept, pois na ética jornalística é resguardado o sigilo da fonte. Principalmente, em situações como essa em que os envolvidos no vazamento de dados estão sendo ameaçados. Ele também conta que a equipe inteira do Intercept está recebendo ameaças constantemente.

Glenn constata que se o hacker capturado pela Polícia Federal (PF) realmente é o responsável pelo vazamento, então o arquivo do Intercept pode se tornar uma prova judicial das violações legais cometidas por Sérgio Moro.

“A informação que tivemos é que era ilícito [o arquivo] e por isso os advogados não poderiam utilizar no processo judiciário. Se a PF está falando a verdade, de que eles prenderam a nossa fonte e conseguiram ter acesso ao acervo, agora, este acervo é lícito. O que significa que os advogados podem utilizar o acervo como evidência”, afirmou Glenn.

Segundo ele, Moro “quer destruir essa evidência examentamente como Sergio Moro, Deltan Dallagnol e a Lava Jato já destruíram as evidências que estavam dentro de seus telefones”.

O jornalista do Intercept também manifestou sua indignação sobre a fala proferida pelo presidente Jair Bolsonaro nesta semana. Glenn lembra que o presidente o chamou de “malandro” e utilizou de maneira pejorativa o fato dele ser homossexual. Com a fala, Bolsonaro também ofendeu seu marido, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ). Miranda é um homem negro de origem humilde e tem entre suas pautas a luta contra o racismo.

Depois da coletiva de imprensa ocorreu a realização do evento. A sede da ABI que foi projetada para 600 pessoas acabou recebendo cerca de mil espectadores. Entre esses, havia jornalistas da Folha de São Paulo, Band, Veja, SBT Rio e assim o Alma Preta, através de uma colaboradora. Na rua do evento estavam cerca de duas mil pessoas que não conseguiram garantir lugar dentro do prédio.

A Federação Única dos Petroleiros foi ao palco e se posicionou contra a venda do petróleo brasileiro para o grande capital financeiro norte-americano. Estavam presentes também a Comissão de Defesa do Estado Democrático de Direito da seccional do Rio de Janeiro, a Comissão de Direito à Educação da OAB-RJ, a Comissão Arns de Direitos Humanos e representantes de partidos.

A ABI é um marco da imprensa brasileira e foi fundada em 1908 pelo jornalista negro Gustavo de Lacerda;

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com