Kátia Trindade (PSOL) tem como objetivo lutar pelas mulheres, pelos negros e LGBT’s. Turismo e cultura também norteiam ações da candidatura

Texto / Jessica Ferreira
Imagem / Wladimir Raeder

O Legislativo Brasileiro desde seu início é composto majoritariamente por homens brancos, o que não é um reflexo da maioria da população. No Censo de 2010, os dados apontaram que menos de 10% dos deputados federais são pardos ou negros, sendo que esse grupo étnico representa mais de 50% da população.

A baixa representatividade negra na política é nociva para os indivíduos desse grupo. Ela tem efeitos micro e macro, que vão desde a dificuldade de punição legal de racistas até a manutenção do racismo estrutural em diversos âmbitos da sociedade.

Representando as mulheres negras de São Paulo, temos a candidata a deputada federal Kátia Trindade (52). Ela é moradora da cidade de Itapecerica da Serra, no interior de São Paulo, onde atua como secretária de cultura negra (a primeira da raça a ocupar a função). Também é membro do MNU (Movimento Negro Unificado) e ativa nos movimentos negros desde os anos 90.

De acordo com descrição da página do Facebook da candidata, é primordial se pensar em ocupação dos espaços de poder, por meio da cultura e educação transformadoras.

Início da vida política

Kátia deu iniciou na militância e foi uma das precursoras do movimento negro de Itapecerica da Serra no começo dos anos 2000. Ela fundou o Fórum Permanente de Combate ao Racismo de Itapecerica da Serra e o Conselho Municipal do Negro de Itapecerica da Serra (CONEGRO), que é o principal órgão municipal para desenvolvimento da população negra da cidade, como é exposto em seu primeiro artigo:

“Fica instituído o Conselho Municipal do Negro - CONEGRO, órgão consultivo e deliberativa, cuja finalidade é desenvolver ações de políticas públicas, que assegurem à população negra o exercício pleno de sua participação e integração no desenvolvimento econômico, social, político, cultural e de construção da cidadania.”

Raízes

A família Trindade possui um extenso histórico de resistência e de militância pela causa do negro, que vem sendo passada de geração a geração. Solano Trindade, avô de Kátia, foi um famoso poeta pernambucano, produtor de uma vasta e importante arte e produção de cultura negra. Ele também foi o idealizador do I Congresso Afro-Brasileiro, que ocorreu em 1934.

Raquel Trindade, tia de Kátia, foi uma importante escritora e artista e, entre outras ações, fundou o “Movimento de artes da Praça da República”. Em 2012 foi condecorada como comentadora da OMC (Ordem do Mérito Cultura). A candidata tem a tia como sua maior referência.

“A minha referência é minha tia Raquel Trindade, falecida no dia 15 de abril deste ano. Para mim, ela é grande inspiração, como mulher negra, artista.”, afirma.

Candidatura

É a primeira vez de Kátia Trindade na corrida para ocupar a Câmara dos Deputados em Brasília. Seu objetivo é representar e lutar pelas minorias no geral, com maior especificidade nos negros, mulheres e LGBT’s.

“A minha candidatura levanta a bandeira das questões de gênero, comunidade LGBT, basicamente as minorias. Também luto pela valorização e manutenção das tradições, mais especificamente das comunidades tradicionais, quilombolas, povos originários indígenas, ribeirinhos e caiçaras.”

De acordo com ela, a atual conjuntura política brasileira abre caminhos para a expansão do agronegócio, promovido, principalmente, pela bancada da bala e do boi. Isso reflete nas comunidades, que perdem terreno e a própria cultura, que ela visa direcionar sua ação política.

Quando perguntada sobre suas propostas de governo, a primeira citada por Kátia é a revogação da emenda constitucional 95, conhecida como “PEC do teto de gastos”.

“Eu acredito que revogar a emenda constitucional 95 seja uma prioridade, por conta do prejuízo social que aconteceu no país em decorrência do regime fiscal instituído por ela.”

Uma outra proposta é utilizar o turismo sustentável para aumentar a visibilidade e movimentação da economia brasileira, de forma que o meio ambiente seja preservado e ainda haja geração de emprego e renda, focando também no desenvolvimento e preservação da população negra, em especial mulheres.

Uma outra pauta citada pela candidata é o investimento em cultura.

“Tenho pretensão de investir no repasse de recursos financeiros do estado para os municípios através dos conselhos de cultura, hoje nós temos vários conselhos mas quase todos são cooptados pelo governo local e a cidade não consegue ter uma política pública de cultura adequada.”, finaliza.

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