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Anelis Assumpção, herdeira de um dos principais nomes da Vanguarda Paulistana, está à frente da direção geral do Museu inaugurado no Dia da Consciência Negra e que reúne mais de duas mil peças sobre a carreira do compositor e cantor

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Acervo Pessoal/Anelis Assumpção

Um dos principais nomes da música independente e da “Vanguarda Paulistana” ganhou um acervo totalmente virtual e gratuito com mais de duas mil peças que contam sua história de vida e sua carreira como compositor e cantor. O Museu Itamar Assumpção (MU.ITA), inagurado em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

O museu é parte do desejo e sonho de Anelis Assumpção, filha do artista que faleceu em 2013, de homenagear o pai tornando públicos diversos itens que fazem parte de suas memórias: cadernos recheados de textos e criações, partituras e até mesmo discos. Ancestralidade e as conexões e diálogos que podem ser estabelecidas com irmãs e irmãos de África a partir das obras do museu é um dos pilares que sustenta essa iniciativa.

“O que fazia ele ser tão inventivo e tão genial em termos musicais eram justamentes as questões relacionadas à música e como ele articula esses elementos da diáspora africana na música dele”, explica Rosa Couto, que trabalhou na curadoria do projeto ao lado de Frederico Teixeira e Ana Maria Gonçalves, autora de “Um defeito de cor”.

Anelis foi responsável pela direção geral da criação do museu. Ela conta a importância de celebrar as heranças dos que vieram antes. “Para aprender com o passado precisamos de verdades para elaborarmos nossas histórias. Fomos sugeridos a um passado mal contado. Este é o momento de remodelar as memórias com fatos apagados. Só seremos melhores quando formos nós mesmos em toda potência que carregamos”, defende a filha de Itamar Assumpção, que fez sucesso especialmente nos anos 80 e 90.

Com o apoio da Converse, o Dia da Consciência Negra foi escolhido para o lançamento do museu pela importância histórica da data dedicada à reflexão sobre a inserção da população negra na sociedade brasileira através da simbólica data de morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes negros do Brasil, que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravagista.

A partir do apoio da marca, que em novembro apoia ainda a 19ª edição da Feira Preta, o maior evento de cultura negra da América Latina e que em razão da pandemia da Covid-19 também ganhou uma versão totalmente online, o podcast Papo Preto traz um episódio especial sobre a importância das raízes na construção da história negra. O bate-papo, disponibilizado nas plataformas de streaming, conta com a participação de Rosa Couto, do MU.ITA, e de Laís Rocha, da Feira Preta.

Este conteúdo é resultado de uma parceria entre o Alma Preta e a Converse, apoiadora oficial do Museu Itamar Assumpção (MU.ITA).

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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