fbpx

Rico Dalasam é a principal atração do evento, organizado por estudantes negros da Universidade de São Paulo (USP). Para eles, mesmo depois de admitir as cotas raciais, a alta taxa de R$ 170,00 serve como barreira para a não entrada de jovens pobres e negros.

Texto / Pedro Borges
Imagem / Reprodução

O rapper Rico Dalasam é a principal atração da festa beneficente organizada por estudantes das USP com o objetivo de arrecadar recursos para arcar com os gastos de inscrição de jovens pobres, negros e indígenas no vestibular da USP. A comemoração ocorre nesta sexta-feira, 1 de Setembro, das 23h às 5h, na Flash Club, Rua Rêgo Freitas, 56, Centro.

Os criadores do evento, os coletivos Por que a USP não tem cotas? e a Ocupação Preta, circularam pelas redes sociais um formulário para jovens pobres, negros e indígenas, que não tenham condições de arcar com os custos da taxa de inscrição, pleiteiem o valor.

Até o momento são mais de 60 inscritos, o que contabiliza um valor total de mais de R$ 10 mil. De acordo com os organizadores do evento, jovens negros e indígenas terão prioridade no acesso ao recurso.

Cotas raciais e as diferentes barreiras para o acesso à USP

Na noite da terça-feira, 04 de julho, o Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou a adoção de cotas raciais. O Conselho Universitário é a maior instância deliberativa da USP. A reunião foi transmitida ao vivo pelo site da instituição.

A proposta aprovada passa a valer já para o próximo vestibular da USP, a ser realizado ainda este ano. Com crescimento gradativo, a reserva de vagas para escola pública será de 37% para 2018, 40% para 2019, 45% para 2020 e 50% a partir de 2021. Dentro dessa proposta, as cotas raciais devem respeitar a proporção populacional de raça no estado paulista, que hoje é de 37,2%.

A alta taxa de inscrição para o vestibular, contudo, é vista como uma outra barreira, que dificulta o ingresso de jovens negros.

“Mesmo existindo as cotas, se a pessoa não tiver 170 reais, não consegue participar do processo seletivo. Essa é mais uma das catracas que a USP impõem aos estudantes que não são dos melhores bairros e com a maiores rendas como se está acostumado haver nessa universidade”, afirmam os organizadores.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com