Neste ano, o festival literário homenageia o poeta pernambucano Solano Trindade

Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Divulgação

A partir desta quarta-feira (16), a Zona Portuária do Rio de Janeiro recebe a 8ª edição da Festa Literária das Periferias (FLUP). O festival desembarca no Museu de Arte do Rio, o MAR, para debater o feminismo negro, um dos movimentos que redesenhou a produção cultural do país neste século, segundo os organizadores.

As mesas contarão com importantes nomes da literatura e de movimentos mundiais, como Funmilola Fagbamila - uma das criadoras do Black Lives Matter - e a francesa Audrey Pulvar, uma das referências em conflitos socioambientais.

O homenageado da FLUP será o poeta pernambucano Solano Trindade, pioneiro na arte “assumidamente negra” no Brasil. Sua produção foi marcada pela valorização da cultura africana no Brasil. Artista múltiplo, Trindade foi responsável pelo I Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1934 no Recife, e pela fundação da Frente Negra Pernambucana e do Centro Cultural Afro-Brasileiro.

“Tentamos traduzir sua noção de vanguarda convidando mulheres negras das mais diversas partes do mundo e do Brasil, na medida em que entendemos que, quando uma mulher negra se move, todas as estruturas se abalam, principalmente na cidade que assassinou Marielle Franco”, aponta Julio Ludemir, um dos fundadores da FLUP.

“Nossa curadoria também se pautou pelo fato de que Solano era um artista múltiplo, que ora recorria à poesia, ora ao teatro, ora às artes plásticas, sempre usando o fazer artístico para tornar esse mundo um lugar melhor para nossos filhos”, completa Ludemir.

Mulheres negras

Nesta quarta-feira (16), a Festa Literária abre a programação com a tradicional revoada de balões na Praça Mauá, que este ano homenageia Ecio Salles, falecido em julho deste ano.

A primeira mesa do festival “Por que umas e não outras?” reflete sobre a leitura como instrumento de mobilidade social e os desafios de fazê-la chegar à periferia. A conversa acontece com as escritoras Cidinha da Silva e Giovana Xavier, a jornalista Flávia Oliveira, e a educadora social Márcia Licá sob a mediação de Ana Paula Lisboa.

Na quinta-feira (17), a programação conta com a conversa “Meu corpo, meus versos”, com Akua Naru e Preta Rara, sobre o machismo e as mudanças no rap desde a entrada das mulheres. Por fim, a mesa “Com quantas Áfricas se faz uma Diáspora” reúne Ana Paula Lisboa, Maboula Soumahoro, Natasha A. Kelly e Rama Thiaw, mulheres de diferentes origens, para debater a diversidade do continente africano.

Na sexta-feira (18), o debate “E nós não é mulé não, essa minina?”, aborda os avanços do feminismo negro no Brasil, com Akuenda Translésbicha, Beth de Oxum e Luna Vitrolira, além de performance de Luiz do Sol. Mais tarde, a mesa “A carne mais barata do mercado não é mais a carne negra”, com Ami Weickaane e Funmilola Fagbamila, debatem o ativismo negro.

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