Casos foram expostos no USA Today, dos Estados Unidos, em matéria especial publicada na última semana de abril

Texto / Simone Freire
Imagem / Reprodução

No ano passado, em um incidente enquanto estava com os filhos em um automóvel, Ayo Henry foi cortada por uma criança em uma bicicleta, em Rhode Island, nos Estados Unidos. Ela buzinou e a criança respondeu duas vezes com uma ofensa racial.

Algumas semanas depois, ela avistou o garoto novamente. Ela pegou o telefone e começou a gravar um vídeo. Ele pediu desculpas explicando que "não estava de bom humor naquele dia". Ayo percebeu o quão jovem era o garoto e lhe ofereceu conselhos sobre o porquê ele não deveria usar insultos raciais.

O vídeo de Henry foi visto mais de duas milhões de vezes no Facebook. Dentro de 48 horas, o Facebook reduziu as imagens, dizendo que entravam em conflito com as regras do discurso de ódio. Henry recorreu da decisão, mas o Facebook se recusou a revertê-la.

Enquanto isso, sua caixa de entrada do Messenger estava cheia de centenas de insultos raciais, mensagens depreciativas e ameaças de que ela seria estuprada ou morta. Além disso, cada vez que Henry tentava compartilhar o vídeo em particular com seus amigos no Messenger, o Facebook a bloqueava.

Ofertas de apoio vieram de todo o país e ajudaram Henry a desenvolver uma rede de ativistas negros. A partir do verão passado, ela diz, todos começaram a perceber que apenas digitar a frase "pessoas brancas" em uma postagem no Facebook poderia fazer com que sua publicação fosse sinalizada e suas contas suspensas.

Especial

O relato faz parte de uma matéria especial publicada, em abril, pelo USA Today, que revelou denúncias de diversos usuários do Facebook de que estão tendo suas publicações excluídas ou contas bloqueadas ao se manifestarem contra o racismo no país. Para evitar que suas publicações sejam excluídas, os usuários agora usam gírias digitais, emojis ou hashtags para evitar os algoritmos de computador e os moderadores de conteúdo.

A justificativa da rede social é que a publicação é excluída “por violar os padrões da comunidade para o discurso de ódio”. No entanto, ativistas negros entrevistados pela reportagem do jornal estadunidense dizem que as políticas de discurso de ódio e sistemas de moderação de conteúdo são formulados por uma empresa construída e dominada por homens brancos, sendo assim, fracassam com as mesmas pessoas que afirma tentar proteger. Além disso, eles dizem que o Facebook raramente toma medidas contra relatos repetidos de insultos raciais, ameaças violentas e campanhas de assédio direcionadas a usuários negros.

Outro lado

Para classificar o que é permitido e o que não é, o Facebook se baseia em uma lista de 40 páginas de regras chamadas "Padrões da Comunidade". A rede social define o discurso de ódio como um ataque contra uma "característica protegida", como raça, gênero, sexualidade ou religião. E cada indivíduo ou grupo é tratado igualmente.

As regras são aplicadas por uma combinação de algoritmos e moderadores humanos treinados. De julho a setembro de 2018, o Facebook removeu 2,9 milhões de conteúdos que, segundo a empresa, violavam suas regras de discurso de ódio, mais da metade foram sinalizadas por sua tecnologia.

Os erros desta estratégia são reconhecidos pelo próprio Facebook, aponta a matéria. Por conta disso, no ano passado, cita, o Facebook começou a permitir que os usuários registrassem uma apelação quando suas postagens individuais fossem removidas. Este ano, a empresa planeja introduzir um corpo independente de especialistas para revisar alguns desses recursos.

*Com informações do USA Today.

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