Jogadores do clube baiano entraram em campo, na vitória contra a Chapecoense, com camisetas em homenagem a importantes figuras negras da história

Texto / Pedro Borges
Imagem / Divulgação 

O Esporte Clube Bahia entrou em campo contra a Chapecoense, às 19h do dia 4 de Novembro, na Arena Fonte Nova, com camisetas em homenagem a importantes figuras da luta contra o racismo. O time baiano venceu por 1 x 0, com gol de Élber, quem vestiu a camiseta 7, em recordação à Maria Felipa.

Na partida válida pela 32° rodada do torneio, todos os jogadores do Bahia deixaram de lado o nome pessoal e vestiram camisetas com o nome de negras e negros que lutaram contra a escravidão e o racismo.

Em nota oficial divulgada pelo clube, a diretoria afirma sobre o mês de novembro que: “O período é dedicado à reflexão sobre a inserção do povo negro na sociedade brasileira e a data exata (20/11) foi escolhida por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695”.

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Lista dos homenageados pelo Esporte Clube Bahia (Imagem: Divulgação)

Entre os recordados estão Zumbi e Dandara, importantes nomes do Quilombo dos Palmares. Outros nomes homenageados são mestre Moa do Katendê, assassinado no dia 8 de Outubro, depois do 1° turno das eleições para presidência, Edison Carneiro, jornalista e intelectual, autor sobre a principal obra acerca do quilombo dos palmares, e Luisa Mahin, principal articuladora da Revolta dos Malês.

Essa não é a primeira homenagem do clube neste ano, que conta com um “Núcleo de Ações Afirmativas”. Na partida contra o Atlético-PR, o Bahia fez uma homenagem aos povos indígenas, assim como recordou a luta de pessoas com deficiência física em jogo contra o Palmeiras, e recordou a luta de mães com filhos desaparecidos, em partida contra o São Paulo.

Confira os 20 homenageados

Zumbi (1655-1695)

Conhecido como Zumbi dos Palmares, foi um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial.

Milton Santos (1926-2001)

Primeiro e único latino-americano a ganhar o “prêmio Nobel” da geografia mundial. Baiano, destacou-se pelos estudos sobre globalização e urbanização no Terceiro Mundo.

Dandara (?-1694)

Guereira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, suicidou-se para não retornar à condição de escrava. Foi esposa de Zumbi, com quem teve três filhos.

Moa do Katendê (1954-2018)

Considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia, Moa do Katendê também foi fundador do bloco afoxé Badauê.

Luiza Bairros (1953-2016)

Gaúcha radicada na Bahia, onde construiu seu histórico de militância negra. Doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan, foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Ganga Zumba (1630-1678)

Primeiro líder do Quilombo dos Palmares e antecessor de seu sobrinho, Zumbi.

Maria Felipa (?-1873)

Marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal, liderou um grupo de 200 pessoas, entre mulheres e índios, contra os portugueses que atacavam a Ilha de Itaparica, em 1822. É considerada uma das heroínas da luta da Independência da Bahia.

Mãe Menininha (1894-1986)

Mais famosa ialorixá da Bahia e uma das mais admiradas mães-de-santo do Brasil. Foi responsável por abrir as portas do Terreiro do Gantois, em Salvador, aos brancos e católicos.

Luiz Gama (1830-1882)

Baiano, é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos negros.

Batatinha (1924-1997)

Um dos maiores nomes do samba da Bahia, foi homenageado por artistas como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Ederaldo Gentil (1947-2012)

Cantor e compositor da geração mais talentosa do samba baiano, ao lado de Batatinha. Foi gravado por nomes como Clara Nunes.

Neguinho do Samba (1954-2009)

Músico baiano, criador do estilo samba-reggae e fundador do grupo Olodum e da banda Didá, ambos com sede no Pelourinho

Mestre Bimba (1900-1974)

Criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de capoeira regional. Foi o responsável por tirar a capoeira da marginalidade.

Luísa Mahin (Séc. XIX)

Mãe de Luis Gama e africana radicada no Brasil, liderou as principais revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

Jonatas Conceição (1952-2009)

Poeta e professor da UNEB, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia. Era diretor do bloco Ilê Aiyê, onde coordenava o projeto pedagógico.

Teodoro Sampaio (1855-1937)

Filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Nascido na Bahia e engenheiro por profissão, escreveu obras de vasta erudição geográfica e histórica.

Biriba (1938-2006)

Um dos maiores ídolos da história tricolor, campeão brasileiro de 1959. Nascido no bairro de Itapuã, preferia jogar na ponta direita, mas aceitou mudar de lado para formar dupla infernal com Marito, outro expoente do Esquadrão.

Carlito (1927-1980)

Maior artilheiro do Bahia em todos os tempos, com 253 gols em 13 anos de clube, de 1946 a 59. É também o maior goleada tricolor na história dos Ba-Vis, com 21 tentos marcados.

Manoel Querino (1851-1923)

Fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, foi pintor, escritor, abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos e na valorização da cultura africana na Bahia.

Edison Carneiro (1912-1972)

Escritor nascido em Salvador, foi também um dos maiores etnólogos brasileiros a estudar a cultura afro-brasileira. Jornalista, professor e folclorista, é autor da obra “Quilombo dos Palmares”.

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