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Brafrika, Black Bird e Diaspora.Black ainda não têm previsão de retomar as atividades turísticas, mas lançam cursos, teste de DNA e reforçam presença digital durante a pandemia

Texto / Redação | Edição / Nataly Simões | Imagem / Heitor Salatiel

O turismo foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia do Covid-19, o novo coronavírus, em todo o mundo. No setor de afroturismo, que ganha força no Brasil, mas ainda trabalha para ser mais conhecido, as empresas precisaram suspender as atividades, diversificar produtos e produzir conteúdo online para continuar levando os clientes para viajar de outras formas.

Diaspora.Black, Black Bird e Brafrika Viagens são exemplos de negócios que precisaram cancelar viagens como a Expedição Palmares, prevista para novembro, além de outras experiências turísticas. Sem data prevista para retomar as atividades, elas trazem novidades para o período de distanciamento social.

A Brafrika Viagens lançou o teste de DNA para fortalecer outro braço, previsto no lançamento da agência de viagens em janeiro de 2019, mas que não tinha ganhado atenção até então. “A intenção é que seja um incentivo para viajar pela África e desbravar o continente”, conta a fundadora da Brafrika, Beatriz Souza.

O pacote oferecido pela agência inclui além do teste, uma celebração do resultado, com informações sobre a cultura do país, jantar e consultoria estética online. “A pessoa ganha, por exemplo, uma pulseira de aço com o nome da região de origem. Algo que remete a recém-nascido”, diz Beatriz. A empreendedora tem aproveitado o momento para ampliar a base de seguidores da agência e para fazer cursos relacionados à produção e posicionamento da marca na internet.

Já em relação às viagens, Beatriz afirma que no cenário mais positivo pretende retomá-las no último trimestre de 2020 e no mais negativo no segundo semestre de 2021. “Queremos fazer viagens bate-volta para cidades com história negra presente como Piracicaba, os quilombos de Taubaté, tomando os devidos cuidados, além de promover práticas de autocuidado, como aulas de ioga e rodas de conversas”, projeta.

A Black Bird, que organiza experiências como a Caminhada São Paulo Negra e Caminhada Salvador Negra, ainda não tem previsão de retomada dos tours. A plataforma comemorou dois anos de atividade em maio com uma live no Instagram. “Estamos focando em produção de conteúdo e esperando a situação se estabilizar na área do turismo. A intenção é ter um investidor para poder escalar a operação e expandir para outras capitais para além de São Paulo e Salvador. Queremos atuar também em Minas e Rio de Janeiro”, afirma a sócia-fundadora da plataforma Luciana Paulino.

Após o susto com o novo cenário, a Diaspora.Black passou a oferecer mais cursos e práticas de autocuidado em seu site, além de aproveitar o momento para promover melhorias tecnológicas. “Tínhamos passeios programados ao longo do ano. Percebemos que aquelas programações não iriam acontecer e entendemos que as pessoas não iam entrar no site para procurar passeios. Aproveitamos, então, para mudar as tecnologias do site e deixar a navegação mais leve e fácil. Era o momento de organizar a casa”, afirma Cintia Ramos, sócia da empresa, que se classifica como um market place.

Para manter o trabalho da equipe, a Diaspora.Black adotou esquemas de reuniões com almoço e happy hour. “É uma forma de manter o nosso ânimo e fazer companhia, com novos horários de trabalho”, diz Cintia, que também é turismóloga. Ela lembra que nesse período os clientes mostraram que estão interessados em viajar e estão procurando experiências mais humanas. “Nós nos encaixamos exatamente nisso. Montamos um programa de pague agora e viaje depois, que tem funcionado bem. As pessoas ainda estão receosas para viagens mais longas e querem fazer viagens mais curtas, bate-volta, nesse primeiro momento”, conta.

Já a Afrotour, de Salvador, ainda observa o cenário para definir os próximos passos. “Muita gente ainda não entendeu o que é realmente o turismo étnico. Esse é um momento para tentarmos nos estabelecer e ver o que vai surgir desse momento”, afirma Nilzete dos Santos, fundadora da empresa. “Sou de candomblé e não estou com pressa para saber o que vai acontecer. É um momento para se educar, profissionalizar atores e comerciantes dessa área do turismo”, finaliza.

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