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O principal objetivo da COP 25 é acelerar o combate às mudanças climáticas

Texto / Lucas Veloso | Colaboração / Pedro Borges | Edição / Simone Freire | Imagem / Acervo Pessoal 

Na edição deste ano da Cúpula do Clima (COP 25), encabeçada pela Organização das Nações Unidas (ONU), jovens do mundo inteiro se reúnem para pressionar os governos a adotarem ações mais enfáticas contra o aquecimento global.

O encontro começou nesta segunda-feira (2) e se estende até o dia 13 de dezembro em Madri (Espanha). Ao todo, participam cerca de 30 mil pessoas representantes de quase 200 países.

É a primeira vez que Luiza Alves, da Ação Educativa, participa do evento. Ela está com a expectativa de que o encontro discuta as questões socioambientais, tema que pouco aparece em espaços internacionais, de acordo com sua análise. “A gente quer trazer os assuntos que estão bem esvaziadas nestes espaços. E isso tem que ser trazido pela juventude. Muita gente nem sabe o que está acontecendo no Brasil”, critica.

Luiza comenta que apesar de o Brasil participar da COP 25, violências contra indígenas e quilombolas continuam impunes no país. “Os povos originários, com terras garantidas na constituição, não têm seus direitos respeitados e estão sendo violentados, tendo terras invadidas por madeireiras ilegais”, pontua.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Brasil registrou 24 assassinatos ligados a conflitos no campo no ano passado. O número de casos é menor, se comparado aos de 2017, quando houve 71 mortes, mas isso não representa uma queda na violência, segundo a entidade.

O presidente Bolsonaro estará ausente na cúpula do clima. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chefiará a delegação brasileira na Espanha..

Violência

A última morte registrada aconteceu no fim de novembro um líder quilombola de 89 anos foi assassinado com golpes de machado na Bahia. José Izídio Dias, mais conhecido como “Seu Vermelho”, era uma das pessoas que habitavam o quilombo Rio dos Macacos há mais tempo. De acordo com a Polícia Civil, o assassinato pode ter sido resultado de um latrocínio, o roubo seguido de morte, ou vingança motivada por uma disputada por terra.

A comunidade, onde ele vivia, convive historicamente com a criminalização e a perseguição do seu modo tradicional de vida. Uma delas é o conflito fundiário envolvendo a Marinha do Brasil, há mais de 50 anos, quando a Vila Naval de Aratu foi construída na região.

Segundo a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), entre 2016 e 2019, 13 indígenas foram mortos em decorrência do conflito com madeireiros no Maranhão. Em nenhuma das situações os criminosos foram punidos.

No mundo todo

A mexicana Paulina Sanchez, coordenadora de programas voltados ao clima, também acredita na importância de discutir como as mudanças climáticas impactam os grupos marginalizados na sociedade. “Creio que este evento é essencial como espaço onde os povos originários, os mais afetados pelas mudanças do clima, possam ter suas vozes escutadas”, define.

Para Paulina, o atual governo federal brasileiro não colabora para que o meio ambiente seja assunto tratado com prioridade. “Desde a eleição, a gente sabia que Bolsonaro ia fazer o Brasil sofrer com retrocessos ambientais enquanto todo mundo caminha em prol das discussões do clima”, relatou. “Vejo isso com muita tristeza e decepção, afinal, essas posturas são contrárias a todas as vidas”, pontua.

De Feira de Santana, Paulo Ricardo, da organização Engajamundo, é outro crítico às políticas ambientais adotadas no país. “A gente está com déficit na agenda do clima. O nosso governo tirou os ministérios voltados às mudanças climáticas”, pontua.

A delegação brasileira chega em Madri pressionada pelo crescente desmatamento na Amazônia, o maior em uma década, além das ações do presidente Bolsonaro, questionadas por especialistas no tema. A falta de demarcação das terras quilombolas e indígenas e ausência de segurança a estas populações são outros temas polêmicos a serem enfrentados

Na América Latina, Chile, Colômbia e México são nações que também compõe a lista de países envolvidos na COP 25. O Alma Preta vai realizar uma cobertura exclusiva com os principais pontos acerca da população afro brasileira.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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