A região Nordeste aparece entre as piores taxas de homicídios de negros, e jovens do sexo masculino, segundo Atlas da Violência

Texto / Lucas Veloso I Imagem / Divulgação I Edição / Pedro Borges

Em Alagoas, um jovem negro tem 18 vezes mais chances de morrer assassinado do que um jovem branco. Divulgado nesta quarta-feira (05), o Atlas da Violência aponta uma taxa de 67,9 homicídios de negros, a cada 100 mil habitantes também negros.

De maneira geral, a região Nordeste concentra as cinco taxas mais altas de óbitos. O Rio Grande do Norte apresentou o índice mais elevado, com 87,0 negros mortos a cada100 mil habitantes, seguido por Ceará - 75,6, Pernambuco - 73,2, Sergipe -68,8 e Alagoas - 67,9.

Em todo o país, a média de homicídios de negros foi de 43,1, enquanto a taxa de não negros (brancos, amarelos e indígenas) foi de 16. Nos últimos anos, houve crescimento acentuado de mortes no Norte e Nordeste, enquanto houve redução nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Alagoas é o maior exemplo da desigualdade racial no país. Em 2016, o Atlas já apontava o estado com a maior diferença na letalidade entre negros e não negros. Em 2017, a situação aumentou: a taxa de homicídios de negros superou em 18,3 vezes a de não negros.

“É estarrecedor notar que a terra de Zumbi dos Palmares é um dos locais mais perigosos do país para indivíduos negros”, escrevem os pesquisadores do estudo. “Em termos de vulnerabilidade à violência, é como se negros e não negros vivessem em países completamente distintos”, completam.

O envelhecimento da população e a crescente letalidade de jovens é uma das preocupações levantadas pelos pesquisadores do Atlas, pois essas questões causam impacto direto no desenvolvimento econômico e social do país.

“A falta de oportunidades, que levava 23% dos jovens no país a não estarem estudando nem trabalhando, em 2017, junto com a mortalidade precoce da juventude impõem severas consequências sobre o futuro da nação”, analisam.

“A gente sabe que a população negra ocupa várias posições tristes e inferiores, se a gente for pensar na comparação com os não negros”, observa Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Esse profundo processo de desigualdade racial nós não conseguimos romper”, critica.

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